Relatório aponta 'estranheza' nas operações financeiras

A Comissão Especial de Inquérito (CEI), instaurada na Câmara Municipal de Mogi das Cruzes para investigar denúncias de corrupção de um grupo de parlamentares, protocolou na última sexta-feira seu relatório final, confirmando que há indícios de que o empresário Joel Leonel Zeferino tentou, de fato, interferir em leis que beneficiariam suas empresas.

Além disso, o documento também ressalta que as movimentações financeiras entre o vereador Mauro Araújo (MDB) e a empresa contratada pelo Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae) causam "estranheza" e que não foi possível elucidar a suposta corrupção na contratação da Fundação ABC para gerir o Hospital Municipal de Braz Cubas.

O relatório conta com a assinatura do presidente do grupo, Pedro Komura (PSDB), do relator, Clodoaldo de Moraes (PL), e do membro Rodrigo Valverde (PT).

Segundo o documento, "não parece que tais provas possam levar à conclusão de que os vereadores venderam seus votos", demonstrando que, sem citar o nome dos parlamentares, alguns vereadores não possuem indícios de envolvimento na suposta corrupção. Seriam eles: Jean Lopes (PL), Carlos Evaristo (PSB), Francisco Bezerra (PSB), Diego de Amorim Martins (MDB) e Antonio Lino (PSD). Este último teria a ressalva por ter apresentado um projeto que favoreceu empresários, mas não foi provado que ele recebeu quantias para que isso ocorresse.

Mesmo com essa narrativa, a CEI ponderou que os parlamentares não apresentaram demonstrativos que comprovassem o pagamento do suposto empréstimo feito por Araújo, versão sustentada por eles.

Segundo o documento, as conversas transcritas na denúncia dão conta da "aparente íntima relação do vereador Mauro com o empresário Leonel Zefferino", o qual "aparentemente" buscou exercer influência sobre assuntos de interesse do poder público, "comumente requerendo favores ao vereador Mauro Araújo".

O relatório da CEI é mais contundente ao falar das transações entre o vereador Araújo e a empresa MF Assessoria e Serviços Eireli, contratada pelo Semae para gerir o serviço de portaria das unidades da autarquia. Segundo o documento, a estranheza causada se dá na alta taxa de juros pago pela empresa para o vereador (em torno de 10%). "De onde surgiu esse dinheiro?", questiona o relatório sobre a quantia elevada.

Em relação à empresa São Francisco, de Pablo Bezerra (filho do vereador Bezerra), denunciada pela Promotoria pela suspeita de ter sido beneficiada por um acordo entre o Executivo mogiano e a gestora do HMMC, a CEI afirma não ter conseguido elucidar o tema por completo, por falta de provas.

Por diversas oportunidades durante o relatório, a CEI faz questão esclarecer que, apesar das oitivas deixarem o cenário mais claro para que fosse entendido o contexto das denúncias, algumas dúvidas não foram sanadas e não puderam ser aprofundadas pelo grupo do Legislativo. O relatório será encaminhado em breve ao MP.

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