Cunha expõe dívida de R$ 100 milhões para 25 mil famílias

O prefeito eleito Caio Cunha (Pode) disse ontem, durante coletiva de imprensa, que tenta reverter a situação de 25 mil famílias mogianas em débito com a Prefeitura no valor total de R$ 100 milhões devido à ampliação de seus imóveis.

A informação, passada pelo futuro chefe do Executivo em encontro para apresentar um balanço dos trabalhos realizados durante o processo de transição, preocupa Caio Cunha e vai mobilizar esforços da futura gestão para que a dívida de, em média, R$ 4 mil em Imposto Sobre Serviços (ISS) para cada família, seja anistiada ou postergada.

Segundo o prefeito eleito, o valor foi descoberto pela atual gestão do prefeito Marcus Melo (PSDB), por meio da atualização da metragem dos imóveis em Mogi das Cruzes, que também resultou, para diversas famílias, no aumento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).

"Isso nos preocupa porque não contávamos com isso, nos assustamos. Agora temos essa obrigação de cobrar (a dívida) da população, porque se não cobrarmos temos a possibilidade de cair em crime de improbidade administrativa", alertou o prefeito Cunha. "Toda casa que é construída tem de pagar um imposto, essas casas que foram fotografadas pelos drones, que não se sabe se eram drones mesmo, não pagaram esse imposto. Foram fotografadas, o IPTU aumentou e esse imposto não foi cobrado", completou.

Questionado sobre o provável motivo que a dívida não se tornou pública e ainda não foi cobrada dos mogianos, o futuro prefeito Cunha acredita que isso se deve pelo período eleitoral. "Óbvio que a atual gestão não quis se indispor com a população e não cobrou essa dívida", respondeu.

Nos últimos anos, a Prefeitura de Mogi das Cruzes iniciou um processo de atualização do cadastro dos imóveis do município, com o objetivo de apurar a real situação de terrenos e construções. O procedimento resultou no aumento do IPTU para diversas moradias da cidade.

O coordenador do processo de transição e futuro secretário de Gabinete, Lucas Porto, lamentou o fato das informações sobre a atual gestão não estarem completas como esperado. Segundo ele, foram encaminhados 60 ofícios de informações para a Prefeitura, mas 34 não foram respondidos e oito estavam incompletos. "A foto que a gente queria tirar da Prefeitura, o registro, não está em boa qualidade", lamentou. "Faltam informações específicas, dados. Os primeiros dias da nossa gestão serão de imersão e diagnóstico para entender onde estamos pisando", completou.

A equipe de Cunha ainda lembrou de contratos que precisarão ser renovados ou revistos no início da gestão, como o da coleta de lixo na cidade. Em fevereiro, o contrato emergencial com a CS Brasil se encerrará e a futura gestão já estuda mecanismos para dar continuidade ao serviço no município.

A reportagem tentou contato com a atual administração para um posicionamento sobre o tema, entretanto, até o fechamento desta edição, o Executivo não havia se manifestado.

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