Endemias e vizinhança

Com a evolução da tecnologia e o conhecimento científico, o impacto ambiental, sócio-econômico e psicológico causados por uma determinada catástrofe é proporcional ao grau de desenvolvimento de uma nação. Existe um desequilíbrio muito grande nas diversas populações e o enfrentamento de uma situação trágica, como a atual com o coronavírus, irá variar conforme a idiossincrasia do sistema.

Na antiguidade, não existiam tantas discrepâncias, tampouco havia grandes diferenças sócio-econômicas; a ignorância sobre todos os fatos que ocorriam eram atribuídos a deuses e entidades variadas que necessitavam serem aplacados em sua fúria exigindo sacrifícios humanos. Esta situação típica da completa ignorância é um aspecto ético importante a ser abordado, pois a escravidão relacionada às conquistas e a antropofagia são uma consequência da fome extrema e devem ser considerados, pois afetam a dignidade.

Conforme é do conhecimento dos bem informados, observamos que a principal catástrofe que se abateu sobre o planeta ocorreu no século XIV dizimando quase metade da população da Europa. Nesta época não havia saneamento básico, ignorância quanto às formas de transmissão de doenças, e atraso nos conhecimentos médicos que alcançaram algum progresso na Idade Antiga principalmente com os gregos, egípcios e babilônios. Tampouco a grande epidemia de gripe ao final da Primeira Guerra Mundial, que dizimou 40 milhões de pessoas, não encontrou o respaldo de adequado controle sanitário, profilaxia e utilização de medicamentos efetivos.

Além das doenças, deve-se considerar a fome como a mais degradante penalidade à dignidade. Fome como consequência das mais variadas calamidades e desastres. Ela surge após inundações, terremotos, furacões, pestes, desequilíbrios da fauna e da flora, também causadas por políticas governamentais em estados totalitários e corrupção em todos os níveis, levando a população a um estado de escravidão ou subserviência. A fome chega até a exagero de levar ao canibalismo!