O poder para sempre

O sonho de dez entre nove governantes é se perenizar no poder. Uma vez tendo chegado ao topo não se contenta em cumprir o mandato que lhe foi atribuído pelo voto. Quer ficar o mais possível e para isso usa de toda as jogadas e artimanhas possíveis.

A nova toada não é a reeleição pura e simplesmente. Nem a volta ao poder depois de um mandato através do voto popular. O que se quer para transformar o Brasil um governo forte, capaz de quebrar a espinha das velhas oligarquias e liderar o proletariado que se forma nas grandes cidades.

Há quem enxergue nessas mudanças um acirramento da luta de classes registradas na Europa e nos Estados Unidos e que perigosamente possa ameaçar o sistema capitalista nacional. Para um trabalho tão amplo é necessário muito tempo, talvez uns 15 anos. Getúlio Vargas governa por 15 anos, a maior parte deles sob uma ditadura que tinha ampla identificação com os movimentos da extrema direita europeia. A ameaça comunista, a redenção da classe trabalhadora, o nacionalismo exaltado, o culto à personalidade, a aliança populista com as classes sociais, a domesticação dos sindicatos se constituíram em pilares internos.

Externamente a eclosão da Segunda Guerra Mundial, a participação dos Estados Unidos e o afundamento de navios brasileiros completaram o poder do ditador. Contudo não é preciso violar a constituição e implantar uma ditadura para ficar tanto tempo no poder. Ela chega ao poder para cumprir um mandato de quatro anos, que pode terminar a qualquer momento uma vez que vive em uma república parlamentar. O êxito de seu governo a habilita para um segundo, terceiro e quarto mandatos. Total 15 anos de democracia, empenho, transparência, liberdade de expressão e apoio à questões nacionais e mundiais. Angela Merkel primeira ministra da República da Alemanha. Uma oradora moderadamente talentosa, não gosta de estar cercada pela multidão. Seu jeito sóbrio, pragmático e modesto conquista a muitos. Caso contrário não estaria hoje à frente do seu quarto governo, diz a DW.