João x Jair

O governador de São Paulo e candidato ao Palácio do Planalto em 2022 conseguiu emparedar o governo federal ao marcar a data para o início da vacinação contra a Covid-19, 25 de janeiro, aniversário da capital de São Paulo. João vem surfando na pandemia e construindo sua imagem como o político que vai resolver essa questão.

Articulado e comunicador, já fixou data para o início da vacinação. Sua atitude colocou pressão sobre a Anvisa para aprovação da Coronavac/Butantã e, se o planejamento der certo, será o primeiro político a vacinar, algo muito emblemático.

Jair tem duas opções: se antecipar e iniciar a campanha de vacinação ou retardar a data marcada para o início da vacinação em São Paulo. O problema é que o mundo já começou a vacinar e a pressão para que esse processo tenha início aqui no Brasil só irá aumentar. Retardar pode ser catastrófico politicamente para Jair, que também é candidato em 2022.

Pela primeira vez a disputa eleitoral de 2022 pode surtir algum benefício para a população com a antecipação da vacinação. O governador de Minas Gerais também se pronunciou e disse que em Minas está tudo pronto, só falta a vacina. Ninguém quer ser o último no combate à Covid-19. Só resta a Jair se antecipar e iniciar a vacinação o quanto antes, embora isso contrarie tudo o que prega.

A questão é de saúde pública e não dá para ficar fazendo política com a vida das pessoas, embora esse jogo possa antecipar a imunização. Quem imunizar antes retomará as atividades antes e crescerá mais, o que provocará uma corrida pela imunização. Mais um round da luta João x Jair pelas eleições de 2022. O negacionismo de Jair pode custar caro, 170 mil famílias estão enlutadas e isso não pode ser negado ou escondido. A inflação voltou, o desemprego nunca foi embora e a conversa de que uma nova redução de direitos trabalhista irá reativar a economia não cola mais.

Tudo isso somado ao fim do auxílio emergencial e a natural desaceleração das atividades no início de ano são um grande desafio a Jair, pois João continua como sempre, fazendo campanha e propaganda, ele tem uma meta: o Planalto.