Depende da população

Fica a impressão de que a nomenclatura "vírus" ou "corona" não pegou e nem causou o medo necessário. Como se as estatísticas que apontam a quantidade de mortes não bastassem, vemos muitos absurdos em desrespeito ao momento delicado em que vivemos por conta da pandemia. Às vezes, parece que se a doença fosse tratada como "peste", por exemplo, talvez poderia ser levada mais a sério.

São muitas as vidas ceifadas desde março no Alto Tietê e, mesmo assim, a displicência das pessoas chega a assustar. Ontem, o governo do Estado anunciou algumas mudanças para a fase amarela do Plano São Paulo. Uma delas diz que os bares devem fechar até as 20 horas, mas os restaurantes podem funcionar até as 22 horas, porém, precisam finalizar a venda de bebidas alcoólicas às 20 horas. A segunda indica a extensão do horário para 12 horas de funcionamento de shoppings e demais comércios, com o fechamento previsto para 22 horas. No primeiro caso, a intenção é diminuir a circulação de jovens, um dos maiores propagadores do coronavírus, no outro, é ampliar o horário para evitar aglomerações em um intervalo mais restrito de tempo, além de colaborar com os comerciantes nas vendas de fim de ano. Desde que fase amarela retornou, os centros de compras e demais comércios podiam funcionar durante dez horas diárias. Se isso vai funcionar ou não, vai depender, única e exclusivamente, da população. E, infelizmente, uma parcela dela ainda dá de ombros.

A imunização deve começar em janeiro de 2021, ao menos em São Paulo, com o sem o aval da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), pois a Presidência da República aprovou uma lei, no começo da pandemia, em que uma vacina, para ser aplicada no Brasil, basta ter a certificação de órgão sanitários do Estados Unidos, Europa, Japão e China.

Enquanto isso, vale reforçar que um plano aprovado no papel não resolverá em nada. Tudo depende da conscientização da população. E como mudar esse cenário? Em um país, no qual uma das únicas maneiras de se educar é ferindo o bolso, fica claro que, se a fiscalização não for mais rígida, com multas severas, a falta de responsabilidade prevalecerá. Enquanto isso, pessoas continuam pagando com a vida. Infelizmente.