Pouco tempo para mudar

A decisão de fechamento do Pronto-Socorro (PS) do Hospital Estadual Luzia de Pinho Melo para os casos mais leves não fazia sentido em uma época excepcional como esta. A ideia de querer direcionar o público que está sofrendo de casos mais simples para os postos de saúde é compreensível, mas a Secretaria do Estado da Saúde agiu bem de voltar atrás neste momento e deixar esse cronograma para outro momento. Ontem, ficou definido que a restrição ao acesso à unidade para os casos leves ocorrerá apenas em 1º de fevereiro do ano que vem. Até lá, espera-se que a rede básica de saúde passe por uma reestruturação para melhor atender a população. Mas, será possível? Dificilmente.

A mudança de plano é um alento para o período de pandemia, mas talvez ainda não seja o ideal. Até lá, o coronavírus será assunto e poucas pessoas terão sido vacinadas, já que, se o Palácio dos Bandeirantes mantiver o plano, a campanha de vacinação contra o vírus terá começado sete dias antes, ou seja, sem tempo hábil para garantir a imunização da população.

A campanha de vacinação deverá ganhar mais força no final do primeiro trimestre, quando os idosos e profissionais de saúde já estarão imunizados com as duas doses. A partir daí, imaginando um cronograma ideal, será a vez de outros públicos. A pensar dessa forma, passando por crianças, pessoas com doenças crônicas, demais categorias profissionais, talvez seja possível pensar em retorno da normalidade perto do final do ano.

Seria interessante que até lá essa reorganização do Luzia não ocorra. Até porque, nenhuma reestruturação radical na rede básica será feita até fevereiro. Passado esse período, a mudança seria muito bem-vinda para orientar a população sobre as especificidades de Pronto-Socorro, e isso deve ser aplicado também aos outros dois hospitais estaduais do Alto Tietê: o Osíris Florindo Coelho, em Ferraz de Vasconcelos, e o Santa Marcelina, em Itaquaquecetuba.

Foi necessária força política e um pouco de pressão para que o Estado adiasse seu cronograma para o PS do Luzia. E pode ser que daqui a menos de três meses seja preciso bater o pé novamente.