Negacionismo

Na expectativa de que o Brasil possa ter um calendário de vacinação contra o coronavírus (Covid-19), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), durante entrevista ao apresentador José Luiz Datena, da rede Bandeirantes, disse, na terça-feira, que não tomaria a vacina de jeito nenhum, e completou afirmando que quem está colocando a vida em risco é ele próprio. Um absurdo catastrófico para muitos, mas um posicionamento firme para tantos outros.

Se por um lado, como cidadão, Jair Bolsonaro possa fazer o que bem entender, por outro, sua atitude influencia na falta de proteção de milhares de brasileiros. Se ele tivesse provas concretas e documentação que comprovasse a ineficácia da vacina seria sua obrigação comunicar a população, mas, uma vez que faz o jogo do negacionismo, sua atitude pode trazer malefícios e a morte de muita gente. Lembremos que a posição contrária à vacina vem de alguém que já chegou a chamar a pandemia de "gripizinha" e que afirmou que utilizar máscara é coisa para "maricas". Isso sem forçar a memória para lembrar frases memoráveis.

Presidentes, governadores, prefeitos, vereadores, deputados e senadores, terão sempre suas atitudes levadas em conta pelo eleitorado, e são exemplos - nem sempre bons -, de conduta. Torcemos para que os prefeitos e vereadores que tomarão posse dia 1º de janeiro de 2021 no Alto Tietê tenham isso em mente e que não convivam com tanto rabo preso político a ponto de colocar em risco a vida dos cidadãos. Um mandato sério, compromissado e, não menos importante, dar bons exemplos à população, deve ser cláusula pétrea.

O número de mortes pela Covid-19 voltou a subir no país. Só na região do Alto Tietê são 1728 óbitos desde o início da pandemia, em março. Em breve e, infelizmente, estaremos falando da triste marca de 2 mil mortes só na nossa região. Se há momento certo para discurso negacionaista, certamente não é este que estamos encarando.