Outsider na Presidência

O povo procura alguém fora da política. Alguém não comprometido com os porões de Brasília, onde, na calada da noite, são combinadas a distribuição de propinas e cargos relevantes. O contribuinte está cansado de acompanhar os inúmeros processos que sempre apontam suspeitos e terminam ou esquecidos em um escaninho qualquer do sistema, ou prescreve na justiça. Só falta no futuro existir uma legislação que conceda prerrogativa de função do foro privilegiado. Uma coisa inconcebível, afinal não foi com esse propósito que se lutou pela democracia. Talvez um outsider, como dizem os comentaristas, seja a solução.

A lei aprovada do fim do regime autoritário estabelece que ninguém pode se candidatar sem estar filiado a um partido. Não há possibilidade de candidaturas independentes, como as que existem na terra de um homem que definiu a democracia como o governo do povo, para o povo e pelo povo. O próprio Lincoln era filiado ao Partido Republicano, que também deu outros presidentes para os Estados Unidos. Portanto está montado o esquema. Os de cima se elegem, os debaixo carregam votos para formar legenda que garantem mais cargos nas assembleias. São como a formigas operárias que trabalham para alimentar a rainha e a elite folgada do formigueiro.

Um capitão de indústria, um líder de corporação, um CEO de uma empresa de comunicação, conhecido do grande público, que vota em personalidades e não em partidos. A cúpula do Partido Municipalista Brasileiro convida o apresentador de televisão. Silvio Santos não resiste ao canto das velhas sereias políticas. Lança sua candidatura, que logo ganha força. Os adversários se movimentam para impedir a chegada do outsider. O caminho é o meandro da Justiça Eleitoral, que não falha. O TSE alega que o partido é ilegal e não pode apresentar nenhum candidato. Naufraga o movimento por um não político logo depois que o barco eleitoral tinha deixado o porto. Recebe um torpedo bem no meio do casco lançado por um desconhecido de nome Eduardo Cunha.