Boom de janeiro

Embora os registros da média móvel de casos da pandemia continuem aumentando, a expectativa é de comércio movimentado nas festas de fim de ano. O pagamento do auxílio emergencial e da última parcela do 13º salário devem atrair os consumidores, apesar da fase crítica no que diz respeito à Covid-19.

A expectativa da Associação Comercial de Mogi das Cruzes (ACMC) é de um grande fluxo de consumidores nas ruas, já que a maioria das lojas irá funcionar até mais tarde durante esta semana. Com o ajuste nas regras da quarentena, o comércio está autorizado a funcionar 12 horas/dia, inclusive no final de semana. A estimativa para esse Natal é de um aumento de 3% no volume de vendas.

A notícia serve de alento aos comerciantes, muito prejudicados desde o primeiro semestre do ano por conta do coronavírus, mas também de alerta para um janeiro de 2021 complicado no combate à doença. A flexibilização do comércio se soma à comemoração do Natal e Ano Novo, triângulo que poderá ser explosivo no começo do ano que vem, com um possível boom de casos e mortes.

O problema é grande e merece cautela. Basta lembrar que no início deste ano o vírus que já matou quase 1,7 milhão de pessoas no mundo e mais de 186 mil no Brasil, até ontem, era apenas uma triste notícia que vinha de outros continentes. Uma vez que invadiu o Brasil e começou a matar, em março, o coronavírus não foi embora, pelo contrário, ainda não há sinal de controle, apesar da vacina que se aproxima.

Para tentar minimizar o boom em janeiro, seria importante - embora o alto movimento nas ruas não minta - que os consumidores tentassem se organizar e, pelo menos, evitar as "tradicionais" compras de última hora, quando as lojas ficam ainda mais cheias.

Mas não é só isso que pode causar o aumento de mortes. Vimos todos os dias, seja nos grandes ou pequenos municípios do Alto Titê, um alto movimento e uma média de isolamento social de menos de 40%. Além disso, boa parte dos jovens não se priva de festas e reuniões sem proteção contra o vírus.

Tomara que, na balança, esse dinheiro em circulação neste fim de ano valha a pena e que não colabore para um período mais crítico do que o atual.