Foco errado

Mogi das Cruzes esteve mais uma vez nos noticiários nacionais, desta vez por ir na contramão da determinação do Governo do Estado e não decretar o fechamento do comércio e serviços não essenciais durante o feriado de Natal.

Para o comércio, que previa prejuízos nas vendas em comparação com a data do ano passado, a manutenção da fase amarela não gerou o resultado significativo, uma vez que a demora do decreto estadual e a falta de clareza na transmissão de informação afastaram clientes e fizeram com que alguns comerciantes não abrissem as portas durante o período.

Mesmo com o tom adotado pela administração municipal - de que a fiscalização foi feita e que não houve desrespeitos -, na imprensa a notícia foi de que Mogi, ao lado de outros municípios paulistas, não obedeceu o que havia sido imposto pelo Estado. Segundo vice-prefeito Juliano Abe (MDB), responsável pelo Comitê Gestor de Retomada Gradativa das Atividades Econômicas da Prefeitura de Mogi das Cruzes, o decreto estadual publicado na última quinta-feira trouxe mais informações para os municípios paulistas sobre o regramento que o governo do Estado estava adotando no período, entretanto, de maneira "muito tardia", o que "impossibilitou a devida organização das ações de fiscalização" e "dificultou a compreensão por parte dos cidadãos para que estes cumpram as leis vigentes".

A Prefeitura de Mogi, por meio do Comitê Gestor, promete para hoje a publicação do decreto municipal orientando as atividades econômicas, acerca das restrições impostas pela fase vermelha, válidas para os dias 1, 2 e 3 de janeiro de 2021. Para as festas de fim de ano, espera-se mais clareza para os mogianos, para que não haja margem para interpretações.

Mas, a questão principal é: seriam esses seis dias de fase vermelha suficientes para fazer diferença na contenção do vírus? Em comunidades pobres a bairros abastados vemos, principalmente jovens, pouco se importando com a pandemia. São, na verdade, as reuniões com grandes aglomerações e a falta de regras sanitárias nesses constantes encontros os maiores problemas, e não o funcionamento do comércio. Definitivamente, o foco de combate ao coronavírus está errado.