O cultivo da honradez

A boa fé, o honrado, o genuíno e autêntico, encontram-se em desvantagem nos dias atuais, se comparados ao desonesto, ao falso, ao escamoteado.

A honradez, que expressa respeito por si mesmo e pelos demais, se opõe à desonestidade que não respeita a si próprio, tampouco o outro. Com isso, a honradez implica numa vida de abertura, confiança e sinceridade e expressa a disposição de viver sob a luz. Na contramão, a desonestidade em busca da sombra, do evanescimento, da ocultação.

Por quê alguém desejaria ser desonesto? É uma pergunta que o satírico irlandês Jonathan Swiff expõe mordazmente em seu As viagens de Gulliver. Houyhnhams, nelas incluídos, eram criaturas tão racionais que a desonestidade os resultava quase ininteligíveis. Como um deles lembrava Gulliver, "O uso da linguagem está destinado a lograr a mútua compreensão e a se informar sobre os feitos; se alguém diz coisas que não são, ou dizer mentiras, se frustra a finalidade".

A desonestidade não teria espaço no mundo que reverenciasse a realidade, se esta estiver habitada por criaturas plena e filosoficamente racionais. Seres humanos, no entanto, não são plenamente racionais, como Swiff se orgulhava em assinalar. Humanos, se diferenciam dos Houyhnhams, abrigam um elenco de tendências e impulsos que não se harmonizam espontaneamente com a razão.

Como cultivar a honradez? Pergunta que muitos se podem fazer nesta altura. Como a maioria das virtudes, convém desenvolvê-la e exercitá-la em harmonia com os demais. Quanto mais se exercita, mais se converte em uma disposição consolidada, num hábito. Mais além, não só porque facilita as relações interpessoais e comunitarias, deve-se valorizar a honradez em si mesma.

A verdade se deve manter como postura ética, não por conveniência prática e o desenvolvimento moral não é um jogo, a não ser o informe da classe de pessoa que cada um é. Caros, antes de tomar qualquer iniciativa, não esquecer de: tornar a pensar.