As pedras no caminho

O início de mandato do prefeito eleito de Mogi das Cruzes, Caio Cunha (Pode), a partir de 1º de janeiro de 2021, promete ser agitado. Não bastasse a natural transição, que neste ano será mais delicada e intensa, afinal, é uma troca do comando político que estava no poder há 37 anos, é preciso também se levar em conta toda a adaptação aos meandros da máquina administrativa.

Sem a prática de tarefas executivas, Cunha terá de superar essa deficiência rapidamente para não ser devorado pela burocracia da Prefeitura. "Arrumar a casa", como prometeu o então candidato durante a campanha, é uma missão espinhosa, pois deve custar o emprego de antigos ocupantes do Executivo.

A relação do prefeito com a nova Câmara Municipal será igualmente atribulada. Com apenas quatro vereadores eleitos por sua base partidária, Cunha vai precisar de habilidade política para negociar, sem ferir os seus princípios ideológicos, com um grupo de parlamentares favorável ao atual prefeito Marcus Melo (PSDB), o que, de antemão, já vislumbra uma temporada atípica na comunhão entre o Legislativo e o Executivo, sem a qual a administração da cidade pode ficar inviável.

Nesse sentido, Caio Cunha vai precisar de reforço dos Legislativos estadual e federal. Porém, os deputados mais próximos ao colégio eleitoral mogiano, Marcos Damasio (PL) e Marco Bertaiolli (PSD), pertencem a partidos que apoiam Marcus Melo. Mais uma vez, Cunha irá necessitar de um bom jogo de cintura para alimentar uma relação, no mínimo, cordial. A participação dos deputados como aliados na administração municipal é fundamental para se obter verbas e abrir portas no governo do Estado e no Congresso Nacional.

Outro caminho a ser trilhado é a conquista de espaço no Consórcio de Desenvolvimento dos Munícipios do Alto Tietê (Condemat). Como prefeito da maior cidade da região, Caio Cunha se credencia a almejar a presidência da entidade, mas pode esbarrar na resistência dos outros prefeitos, quase todos de partidos ligados aos mais antigos mandatários da região. Para vencer essa barreira, o prefeito eleito terá de recorrer, novamente, à capacidade de negociação política. Os primeiros meses de Cunha no governo prenunciam uma jornada cheia de obstáculos.

Deixe uma resposta

Comentários