Fim da trégua

O preço dos combustíveis sempre foi um termômetro na economia brasileira. Cada vez que o valor dos derivados do petróleo sobe, entra em ação o efeito cascata, espalhando reajustes para uma série de produtos e serviços. Mesmo que a relação entre os dois fatores não seja verossímil em muitos casos, o discurso da elevação dos preços é prática comum no país e dá suporte a muitas empresas para inflacionar o mercado.

Depois de uma trégua por conta da pandemia do coronavírus, que chegou, inclusive, a reduzir os valores nas bombas de abastecimento, o preço da gasolina, do álcool e do diesel voltou a patamares do início do ano, conforme noticiado ontem pelos jornais Mogi News e Dat, com base em números divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A crise sanitária provocada pela Covid-19 ainda não passou, mas alguns poucos benefícios financeiros motivados por ela estão desaparecendo como fumaça.

Desta forma, a alta dos combustíveis indica um final de ano pouco animador economicamente para as pessoas. A tendência natural é a disparada de preços de mercadorias e serviços, motivada pela elevação dos derivados de petróleo, justamente no período em que os gastos da população aumentam, com as despesas de Natal e Ano Novo.

Para complicar ainda mais esse quadro nebuloso, o Estado de São Paulo deu um passo atrás em seu plano de retomada econômica ao colocar todas as regiões de volta à fase amarela. A redução de horário de funcionamento e de ocupação de espaço para o público prevista no plano estadual certamente vai trazer prejuízos aos comerciantes. O alerta já foi dado pelas instituições que representam o setor, indicando também que o poderio de abertura de vagas de trabalho temporárias no final do ano está comprometido.

O fato é que vários indicadores levam a crer que a população terá uma virada de ano complicada, com pouco dinheiro no bolso, restrições no comércio e limites para aglomeração, sem direito a shows e queima de fogos. As pessoas devem se preparar para um período da economia em baixa e com foco ainda voltado para as questões de saúde. A alta dos preços dos combustíveis é somente um desses indicadores. Talvez, o pior deles.

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