Sinais do perigo

Alguns dos instrumentos de avaliação utilizados com frequência pelo governo de São Paulo durante a quarentena por conta do coronavírus caíram, sabe-se lá porquê, em desuso nos últimos meses. As ferramentas empregadas tinham a proposta de conscientizar, por intermédio das estatísticas, as pessoas a ficarem em casa, isoladas, para frear a escalada dos casos e mortes por Covid-19. Um bom exemplo é o Sistema de Monitoramento Inteligente (Simi), programa do Estado que determina o índice de adesão das pessoas ao isolamento social.

O Plano São Paulo de retomada econômica permitiu que, gradativamente, a população pudesse voltar a transitar em busca de atividades, assim como o comércio recobrou horário e espaço para funcionamento, guardadas as regras de segurança sanitária, como uso obrigatório de máscaras e higienização com álcool em gel. O Simi registrou em 3 de maio, pico do isolamento, índice de 59%, o que significa que, em média, de cada dez pessoas, quase seis permaneciam em casa. Na última sexta-feira, os dados disponíveis no portal do Estado mostraram uma taxa de 39% de isolamento, ou seja, menos de quatro pessoas a cada dez estavam resguardadas. Mais evidente que as aglomerações como fator causador do retorno de casos de Covid-19, a chamada segunda onda, impossível.

Registros como a festa flagrada pela polícia em Sorocaba, no último domingo, onde estavam reunidos cerca de 3 mil jovens em um sítio para uma rave, indicam o relaxamento de um grupo que está crescendo nas estatísticas dos casos de infecção por coronavírus. Em Mogi das Cruzes, também no último final de semana, a Guarda Municipal lavrou 13 multas por desrespeito às regras de prevenção à doença, notadamente reuniões entre jovens em bares e festas, tanto na periferia quanto nos bairros próximos ao centro da cidade.

Os alertas não param de chegar, mas a desobediência das pessoas aos protocolos sanitários é assustadora. O médico Henrique Naufel, secretário de Saúde de Mogi das Cruzes, bem define este momento crítico: "Ninguém sabe aonde esse aumento de internações poderá nos levar, todos os epidemiologistas erraram em seus prognósticos sobre a duração da epidemia." Os sinais do perigo estão dados.

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