Psicólogos comentam nova fase de isolamento

Já se passaram nove meses desde que as regras de isolamento para conter o contágio do coronavírus entraram em vigor, tempo suficiente para abalar o equilíbrio das pessoas que se esforçam para seguir as medidas impostas. Psicólogos entrevistados pela reportagem enfatizaram os desafios de manter a saúde mental em dia.
Com a queda na quantidade de mortes por conta da Covid-19 registrada no início de novembro, boa parte da população relaxou com as medidas restritivas para evitar o contágio. Como resultado, temos hoje o risco iminente de uma segunda onda da doença. No início deste mês, a quantidade de casos e mortes voltou a subir e medidas mais rígidas, como o retorno à fase vermelha do Plano São Paulo de controle sanitário durante as festas de fim de ano, foram impostas.
Para o psicólogo Rodrigo Martins, as incertezas causadas no primeiro momento de isolamento por conta da pandemia do coronavírus foram reduzidas, o que traz o conhecimento sobre a doença. Ainda sem todas as respostas sobre o vírus, o especialista explica que o isolamento já se mostrou eficiente, o que auxilia a construir uma rotina, que reflete na diminuição da ansiedade. "Mesmo assim, nenhuma medida de isolamento é vista de forma natural, sempre vai gerar um sofrimento. Mas temos de pensar que já passamos por isso e que o isolamento se faz necessário neste momento", ponderou o psicólogo.
Já a psicóloga Aline Andolfo afirma que a maior parte da população possivelmente não está preparada emocionalmente para um isolamento social mais significativo no Brasil, uma vez que as restrições iniciais se mantiveram por um período considerável, o que fez com que as pessoas percebessem a dificuldade de cumprir as regras impostas pelas autoridades após alguns meses.
Questionada sobre o quão mais fácil seria este segundo momento de isolamento social, a especialista afirma que a experiência adquirida pelos brasileiros neste ano pode ser um problema, uma vez que o isolamento causou traumas para muitas pessoas. "Possivelmente, para a grande maioria, é muito mais vantajoso poder 'viver normalmente sem restrições' mesmo com a circulação do vírus", disse. Isso é explicado, segundo Aline, pela "fadiga da quarentena", um estado emocional que gera o desejo de sair de casa e continuar vivendo como se o perigo não existisse mais.