Santa Casa de Mogi tem corte de verba de R$ 86 mil por mês

Com um novo corte de verba de 12% imposto pelo governo do Estado de São Paulo, a Santa Casa de Misericórdia de Mogi das Cruzes terá a obrigação de manter os mesmos serviços com menos R$ 86 mil em seu orçamento mensal. Este, de acordo com o provedor da entidade, José Carlos Petreca, será o prejuízo mais significativo para a unidade médica. Além da diminuição direta na receita, a Santa Casa será responsável por manter o mesmo volume de trabalho e com a mesma qualidade.

No entanto, a continuidade dos serviços prestados à população com um repasse inferior é inviável, segundo o hospital. "Vamos buscar apoio político com os deputados estaduais e federais pela importância que a Santa Casa tem com a saúde pública e que, em muitos casos, é o único hospital na região", afirmou o provedor da Santa Casa sobre a demanda da unidade até mesmo por moradores de cidades vizinhas à Mogi.

Ainda que as datas das reuniões com as autoridades não tenham sido estipuladas e divulgadas por Petreca, a Santa Casa adianta que já está alinhada com a Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos do Estado de São Paulo (Fehosp).

A resolução, publicada ontem no Diário Oficial, afeta diretamente recursos essenciais para os hospitais, que são responsáveis por mais de 50% do atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS). "Os danos ocorrem especialmente no interior do Estado, onde os equipamentos de saúde são referência para a alta complexidade e tratamento da Covid-19", pontuou a Fehosp.

Há anos a Santa Casa de Mogi é responsável por cerca de 20 mil atendimentos por mês, 5 mil partos por ano, além de ser referência em Ortopedia, Oftalmologia, Neurocirurgia e Gestação de Alto Risco na região. Vem há bastante tempo enfrentando, como as demais entidades do Estado, esses problemas de sub-financiamento do SUS, o colapso de alguns hospitais beneficentes e as consequências disto para a população, que utiliza os serviços pelo SUS. Hoje, no hospital, os atendimento feitos pelo sistema chegam a 96% do volume total.

A rede da Santa Casa lamentou que em meio à maior crise de saúde mundial, as 180 entidades que realizam a maior parte do atendimento no Estado tenham corte de
R$ 80 milhões no ano. O setor, que destina mais de 47 mil leitos de enfermaria, mais de 7 mil leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ao SUS, representa mais de 50% das internações e mais de 70% dos atendimentos em alta complexidade, como Oncologia, Cardiologia e Transplantes, está indignado com a resolução do governo de São Paulo.

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