Vacinação nacional pode sofrer atrasos

O "dia D e hora H" da vacinação nos Estados, ou seja, o começo da campanha de imunização contra a Covid-19, pode atrasar por problemas na logística montada pelo governo federal. A ideia era que as doses chegassem ontem, a todos os Estados, mas auxiliares do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, já avisaram secretários locais de saúde que há entraves aos embarques.

Pressionado após a primeira foto da vacinação ter sido feita em São Paulo, com o governador João Doria (PSDB) no retrato, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, liberou que as doses fossem aplicadas ainda ontem. A ideia era realizar um evento no Palácio do Planalto, hoje, e vacinar ali mesmo um idoso e um profissional de saúde -, e abrir a campanha nacional no dia seguinte.

Apesar de afirmar que não faz "marketing", ao criticar Doria, o general recebeu governadores em Guarulhos, mais cedo, para uma cerimônia que simbolizava a entrega das doses, mas ganhou tom de defesa do ministro. Horas após o evento, porém, um dos auxiliares de Pazuello escreveu a secretários locais que as entregas podem atrasar, . "Senhores houve atraso e problemas no embarque das cargas. Algumas capitais não receberam conforme previsto. Estou aguardando nova informação do Departamento de Logística (Dlog) e Coordenação da Vacinação", diz a mensagem obtida pelo Estadão.

O ministro Pazuello tem sido criticado por falhas de logística, como na compra de vacinas, seringas e diante da crise em Manaus. Os secretários estaduais temem lacunas no calendário de vacinação por falta de doses. A produção local no Instituto Butantan e na Fiocruz está atrasada, pois ainda não chegaram da China insumos que eram esperados.

Hoje, apenas 6 milhões de doses da CoronaVac estão no país e com aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso emergencial da vacina. Estas doses serão usadas em 3 milhões de pessoas, pois a imunização exige duas etapas.