Queda de braço

É uma pena que o início da vacinação em todo o país se tornou uma queda de braço entre o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido) e o governador do Estado de São Paulo, João Doria (PSDB), com vistas às próximas eleições presidenciais.

No noticiário político, o Palácio do Planalto estuda organizar uma cerimônia no dia 19 de janeiro, com a presença do presidente Bolsonaro, para anunciar o início da vacinação em todo o país. Como a data é anterior ao calendário anunciado pelo governador de São Paulo - 25 de janeiro -, Doria por sua vez avalia qual é a melhor estratégia para garantir que será o primeiro a anunciar o início da vacinação após dado o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Nos bastidores políticos, se o aval da Anvisa sair no domingo liberando a vacina produzida pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac, Doria estuda se antecipar à cerimônia de terça-feira do Palácio do Planalto.

A queda de braço num momento tão crítico que passa o Brasil chega a soar como egoísmo, falta de bom senso e a lamentável constatação de que os políticos só pensam nos holofotes e não na população tão sofrida e abalada após meses de pandemia do coronavírus. Além da vacina contra a Covid-19, precisamos também de vacina contra determinados políticos.

Ontem, após reunião com o Ministério da Saúde, prefeitos disseram que, de acordo com o ministro Eduardo Pazuello, a vacinação contra a Covid-19 começará na quarta-feira (20, da semana que vem). A data depende de a Anvisa liberar o uso emergencial das vacinas CoronaVac e Astrazeneca. A decisão da Anvisa sai no domingo.

Enquanto eles 'brigam' pelo primeiro clique na foto que marcará a chegada de fato da vacina no Brasil, outras situações mais graves e urgentes ocorrem no país e infelizmente não há 'briga' para resolver os problemas que gritam por atenção: como a falta de oxigênio nos hospitais em Manaus e o desespero por atendimento num momento tão difícil e lamentável.

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