Seleções de rachadinhas

Para uns é apenas uma transação comercial como outra qualquer. Para outros um pequeno pecado. Afinal ninguém sai perdendo com a prática da divisão de uma quantia que, ou já está combinada, ou faz parte do orçamento devidamente autorizado. É uma operação que não paga imposto e não se declara abertamente, mas é um dinheiro que sai de um bolso e vai galhardamente para outro. Rachadinha não é um nome nobre. Nem de baixo calão. Para alguns é uma prática que vem de tempos antigos e apenas ganhou novos contornos com o desenvolvimento de operações capitalistas recentes. Por exemplo, aplicar a parte recebida em investimentos rentáveis ou custear despesas que não necessitam de contabilidade na declaração de imposto de renda do final do ano. A viagem de férias no exterior, com a família, uma reforma discreta na casa da praia, como a construção de uma adega de vinhos climatizada, ou mesmo uma cirurgia plástica de alto custo com a promessa de não ser declarada. Nada melhor que a velha e boa rachadinha quebradora de galho.
Não se sabe se tal prática chega ao Congresso Nacional ou está confinada apenas nos círculos locais e estaduais. Imagine um senador ser acusado de ficar com parte dos salários de seus assessores, o escândalo que isso iria provocar. Pode dar até cassação de mandato e os vultos históricos da pátria revirariam em seus túmulos.
A denúncia das rachadinhas é tornada pública originalmente no meio médico, pelo diretor do Colégio Americano de Cirurgiões. Pode parecer curioso que a divisão seja feita com quem tem um bisturi na mão. Segundo Paul R. Hawley, o processo se dá quando um paciente pergunta para o cirurgião quanto vai custar a cirurgia. Ele estima em US$ 300,00. Divide o valor com o clínico geral que o indicou para fazer a operação, assim cada um fica com a metade do valor.
A prática da rachadinha como se vê não é nacional, e nem se originou no terreno da política, como se noticia hoje, e teve a história contada na Seleções de julho de 1953.

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