Mundo de três zeros - II

Impossível a implantação de um mundo melhor se as grandes corporações resistem a qualquer mudança nas regras desse jogo comercial desigual no qual elas pairam acima do bem e do mal.

Para virar o jogo há necessidade que o Estado exerça o controle sobre essas fontes de poder que tendem a sabotar a própria capacidade de governar.

Celso Ming relata que antes mesmo da crise de 2008, essas grandes corporações financeiras fizeram o que desejaram com as aplicações dos seus clientes, sem que nenhum organismo regulador interviesse nas pirâmides financeiras que empobreceram a classe média.

A concentração de riqueza desvia o seu olhar da tragédia mundial da fome. O empréstimo oferecido pelas financeiras, com taxa abusiva, à quem almeja ser empresário o faz desistir do seu sonho, continuando como empregado. O ideal da construção social do mundo de três zeros: zero de emissão de carbono, zero de concentração de riqueza e zero de desemprego, está sendo destruído pela ambição desenfreada na busca da maximização do lucro.

A teoria capitalista nos enganou e nos fez acreditar que a felicidade pode ser medida pela quantidade de dinheiro. Na verdade, nossa mente busca a maximização da felicidade, e não a maximização do lucro.

Dinheiro nos dá conforto, mas não compra felicidade. Há uma frase do passado que exemplifica bem essa distorção do pensamento: "Melhor é chorar num cadillac do que sorrir num bonde". Cadillac era o carro de luxo da época, como continua sendo até hoje no valor acima de quinhentos mil reais.

A inteligência artificial dos grandes polos industriais produziu aumento da produção com precisão, no entanto, substituindo a mão de obra humana causou desemprego e empobrecimento da classe média que é a maior consumidora dos produtos manufaturados e industrializados.

A sociedade impessoal da tecnologia avançada está esquecendo que foi criada pelo homem para servir ao homem, feito à imagem e semelhança de Deus, o qual sempre esteve no centro do conhecimento.

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