Ano letivo diferente

Em meio ao aumento de casos de contaminação da Covid-19, o receio de um colapso no sistema de saúde e a insegurança coletiva por ainda não saber lidar com um vírus que se mostra invencível, as redes de ensino do Alto Tietê planejam a retomada às aulas presenciais, respeitando as diferentes realidades e organizando-se conforme os protocolos sanitários e as orientações recomendadas pelos governos municipais e estadual. As cidades da região, integradas à Grande São Paulo, permanecem na faixa amarela, havendo, portanto, poucas mudanças em relação às normas restritivas. Sendo a escola, agora, considerada um serviço essencial, em 2021, ela passa a ser o foco das ações de retomada. Embora num momento preocupante, não deixa de ser primordial. Afinal, há quase um ano longe do espaço escolar, os estudantes das diferentes faixas etárias estão entre os mais prejudicados nesta pandemia.

Eles viveram um momento atípico, readaptaram suas rotinas, ampliaram seu olhar sobre a importância do aprendizado e ressignificaram a visão sobre o papel da escola. O ensino remoto trouxe aprendizados, tanto aos alunos quanto aos familiares, que vão além dos conteúdos curriculares disseminados, mas, em especial, desenvolveu autonomia, empatia, colaboração, coletividade, solidariedade, e, por muitos, reconhecimento aos professores, que se reinventaram e surpreenderam o sistema educacional brasileiro.

Embora de forma limitada, aqueles que tiveram a oportunidade de acompanhar o modelo remoto de ensino não deixaram de aprender. No entanto, não podemos desconsiderar os 4,9 milhões de estudantes dos ensinos Fundamental e Médio que não tiveram acesso a atividades escolares e que ficaram totalmente ausentes, pelas mais diversas dificuldades, tanto do ponto de vista estrutural quanto social. Especialistas preveem que a defasagem na aprendizagem será recuperada por um período de dois a quatro anos. E, por esta desigualdade escancarada na educação, que a retomada às aulas, que, neste primeiro momento, será gradual, com um período de aulas presenciais e em outro, remotas, dando início a um modelo híbrido de ensino, é uma forma de recomeçar o resgate, em especial, destes alunos que foram excluídos do cenário educacional.

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