Haiti receberá doação de testes para detecção da Covid

O governo Jair Bolsonaro pode enviar ao Haiti mais testes para detecção do coronavírus (Covid-19) do que o governo federal entregou a 24 das 27 unidades da federação do Brasil. Somente São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná receberam volume superior.

O Ministério da Saúde negocia a entrega de 1 milhão de exames do tipo RT-PCR, o mais adequado ao diagnóstico, para o país caribenho. Tratada como ato humanitário em documentos oficiais, a doação pode reduzir o estoque de 5 milhões de unidades que vencem a partir de abril, mas jogar sobre o Haiti a responsabilidade de usar o produto com validade curta.

Com praticamente o dobro da população do Haiti, Minas Gerais só recebeu 747 mil exames. Já o Rio Grande do Sul, que tem população similar à do país caribenho (cerca de 11 milhões de habitantes), ficou com 571 mil testes.

No total, o Ministério da Saúde entregou 14 milhões de exames RT-PCR aos Estados na pandemia. Cerca de 10,2 milhões foram realizados até agora. A meta do governo era ter feito 24 milhões de exames desse tipo até o fim de 2020.

Pedido

O Itamaraty e o Ministério da Saúde afirmam que o governo haitiano pediu a doação dos testes. Não está claro se a quantidade ofertada foi proposta pelo Brasil ou pelo país caribenho. O governo brasileiro não doará outros insumos usados durante as análises das amostras. "Se os haitianos não tiverem como fazer essas análises ou como realizar coletas, não será possível ao Brasil dar início a alguma eventual doação", afirma nota do Ministério da Saúde.

O Brasil já doou cerca de 130 mil testes ao Paraguai e ao Peru. Também recebeu, recentemente, 72 mil unidades do governo da Coreia do Sul, além de outras 600 mil unidades da Petrobrás. (E.C.)