Incoerência: idosos ficam sem vacina

Apenas trabalhadores que lidam com a pandemia devem se vacinar
Apenas trabalhadores que lidam com a pandemia devem se vacinar - FOTO: Divulgação

"Desordem", "falta de planejamento" e "erro". O alvo da crítica são as cidades que passaram a vacinar profissionais da área de saúde que não atuam na linha de frente do combate à pandemia. Biólogos, psicólogos e educadores físicos, entre outros profissionais, ganharam prioridade em locais onde as doses não começaram a chegar aos idosos.

Apenas na Região Metropolitana de São Paulo, das 39 cidades, 21 escolheram não priorizar apenas os profissionais de saúde da linha de frente do combate à Covid-19. Mas os relatos se multiplicam pelo país. Alegrete (RS), Campinas (SP) e João Pessoa (PB) são outras cidades que agora precisam reavaliar se manterão a estratégia.

Na região de Sorocaba, a maioria das doses da Coronavac já foi aplicada. Algumas cidades estão usando a vacina de Oxford pra ampliar a vacinação dos profissionais ligados à área da saúde e idosos.

Na segunda-feira passada, mais de duas semanas depois de lançar a segunda versão do Plano Nacional de Imunizações (PNI), o Ministério da Saúde enviou um alerta aos secretários de saúde: é preciso seguir os grupos prioritários. Trabalhadores de saúde em geral que não atuam diretamente contra a Covid-19 não devem ser vacinados agora.

A falta de clareza chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Dar prioridade a públicos-alvo e ter clareza em quem deve ser vacinado em cada fase é o norte que delimitou, por exemplo, o plano de vacinação no Reino Unido. Lá, a fila anda conforme o risco de mortalidade.

O Ministério da Saúde do Brasil buscou o mesmo critério britânico, mas o plano lá é mais objetivo ao delimitar a ordem da vacinação e não cita os profissionais da saúde de forma ampla.