Frota de ônibus da capital paulista emitiu 50% menos poluentes em 2021

 Usuários de transporte público e motoristas de ônibus usam máscaras de proteção contra covid-19 na rua da Consolação
Usuários de transporte público e motoristas de ônibus usam máscaras de proteção contra covid-19 na rua da Consolação - FOTO: Rovena Rosa/Agência Brasil

Em janeiro deste ano, os ônibus que fazem o transporte público na cidade de São Paulo emitiram até 50% menos gases de efeito estufa e poluentes do ar do que em janeiro de 2016. A informação está no primeiro Boletim do Monitor de Ônibus São Paulo, que coleta dados sobre como anda o sistema de transporte público na capital paulista. O boletim será divulgado a cada dois meses pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema).

De acordo com o levantamento, as emissões de dióxido de carbono (CO2) caíram 57% na comparação com o mês de janeiro de 2016. Já as emissões de óxidos de nitrogênio (NOx) caíram 52% e, de material particulado, 71% na mesma base de comparação.

Uma lei municipal, de 2018, estabelece que os ônibus que fazem o transporte coletivo na cidade de São Paulo devem reduzir gradativamente as emissões de poluentes, até que isso ocorra de forma total no prazo de 20 anos. As reduções de CO2, por exemplo, devem cair pela metade até 2028 e serem extintas em duas décadas.

Também estão previstas reduções na emissão de material particulado (MP). Nesse caso, a diminuição deve ser de 90% em dez anos e 95% em 20 anos. Já as reduções de óxidos de nitrogênio (NOx) têm de ser reduzidas em 80% em uma década e em 95% até o ano de 2038.

Menos congestionamento, menos emissão

Segundo o boletim, entre janeiro de 2016 e janeiro de 2021, a oferta de ônibus na capital paulista caiu 36%. Já a velocidade média dos ônibus ficou 8% maior nesse período. Isso, segundo o instituto, pode ser explicado pela queda no número de passageiros já que, com menos tempo de filas nos embarques, os ônibus diminuem o tempo de parada nos pontos. Além disso, o aumento da velocidade pode ter sido derivado também da queda de veículos próprios circulando pela capital durante a pandemia do novo coronavírus.

Com os ônibus circulando com menos paradas ou menor congestionamento, os veículos acabaram emitindo menos gases de efeito estufa e poluentes do ar pelo escapamento.

Por isso, diz o boletim, investir em faixas exclusivas e corredores de ônibus pode ajudar a reduzir ainda mais as emissões de poluentes na cidade. “Os ônibus podem trafegar com maior fluidez e continuidade por meio de corredores ou mesmo faixas exclusivas, já que não competem por espaço viário com outros veículos, sobretudo com o automóvel. Dessa maneira, os ônibus ficam menos parados no trânsito e diminuem o intervalo médio de suas viagens, o que também reduz suas emissões atmosféricas”, disse Felipe Barcellos, pesquisador do Iema.

Outros aspectos que ajudaram a diminuir a emissão de poluentes no ar nesse período foram a melhoria da qualidade da frota dos ônibus e a diminuição da quilometragem total percorrida, informou o instituto.

Ações

Procurada pela Agência Brasil, a SPTrans, que administra o transporte coletivo de ônibus na capital paulista, informou que uma série de ações estão sendo tomadas para reduzir a emissão de poluentes pelos ônibus.

Segundo a empresa, toda a frota de ônibus da cidade, por exemplo, tem circulado com um tipo de diesel menos poluente, formado por uma mistura de 88% de diesel S10 (que tem menor teor de enxofre) e 12% de biodiesel. Além disso, 91% da frota estão equipados com um motor com sistema de filtragem, que reduz a emissão de poluentes.

Desde o início de 2017, 6.275 ônibus novos, mais sustentáveis e menos poluentes, foram incluídos no sistema. “Cabe destacar que, além dessas medidas, a substituição de veículos mais antigos, que são mais poluentes, por novos veículos, que emitem menos, também contribui para a redução da emissão de poluentes”, disse a SPTrans em nota enviada à Agência Brasil.

A empresa disse ainda que sistema de transporte da cidade conta, atualmente, com 17 ônibus 100% elétricos a bateria e 201 trólebus, ônibus movidos a energia elétrica e que são conectados a uma rede de alimentação. Esses trólebus proporcionam a redução de 20 mil toneladas por ano de dióxido de carbono.

Até o momento, de acordo com dados da SPTrans, essas ações conseguiram reduzir 34,47% de óxido de nitrogênio, 49% de material particulado e 2% de dióxido de carbono que eram emitidos pelos ônibus na atmosfera, na comparação com dezembro de 2016. A comparação com o mês de dezembro de 2016 é estabelecida pela lei municipal.