Reino Unido acha infectado pela variante brasileira

 Pesquisa: cepa do Amazonas do coronavírus gera mais carga viral
Pesquisa: cepa do Amazonas do coronavírus gera mais carga viral - FOTO: Divulgação

A pessoa que estava sendo procurada no Reino Unido por ter contraído a variante de Manaus do novo coronavírus foi encontrada, informaram autoridades nesta sexta-feira, 5, encerrando a 'caçada' que durava uma semana.

A Public Health England (PHE) anunciou no domingo, 28, que seis pessoas no Reino Unido haviam sido diagnosticadas com a nova cepa da doença, entre elas uma que não havia sido localizada. Especialistas acreditam que o indivíduo contaminado realizou o teste em casa ou utilizou um kit de teste fornecido por autoridades locais, entre os dias 12 e 13 de fevereiro, mas não preencheu os dados de contato.

A variante brasileira (P1) foi detectada pela primeira vez em três pessoas na Inglaterra e em outras três que voaram do Brasil para a Escócia. A 'caçada' a esse viajante - que não teve a identidade revelada - ocorre num momento de queda no número de casos da covid-19 no Reino Unido, mas de preocupação internacional com a variante que surgiu no Brasil.

O Grupo Consultivo de Ameaças de Vírus Respiratórios Novos e Emergentes do Reino Unido (Nervtag) designou a P1 como uma "variante de preocupação" e alertou que as vacinas podem não funcionar tão bem contra a cepa brasileira, considerada responsável pelo ressurgimento de infecções na capital do Amazonas no início do ano.

A variante já foi identificada em países como França, Reino Unido, Alemanha, Espanha e Japão, assim como em 17 Estados brasileiros. O Centro Europeu para Prevenção e Controle de Doenças (ECDC, na sigla em inglês) listou três variantes como "preocupantes": a do Reino Unido (B.1.1.7), a da África do Sul (B.1.351) e a brasileira P1. De acordo com o ECDC, a preocupação está ligada a uma taxa de transmissão mais elevada e à possível redução dos efeitos da vacina.

Segundo o Financial Times, a PHE trabalhou ao lado de serviços postais para determinar onde o teste foi feito e restringiu a procura a 397 casas no sudeste da Inglaterra. O departamento negou comentar onde o viajante foi encontrado.

Até o momento, não há evidências de transmissão entre pessoas na Inglaterra da variante P.1.

Relatório

A Organização Mundial da Saúde (OMS) negou que tenha cancelado plano de divulgar um relatório preliminar com as conclusões da investigação comandada pela entidade sobre as origens do coronavírus na China. Segundo representantes do órgão, a intenção é publicar o documento completo na semana de 14 de março.

Uma reportagem do jornal The Wall Street Journal, divulgada nesta sexta-feira, informou que as tensões entre americanos e chineses teria levado ao cancelamento do parecer.

No entanto, em entrevista coletiva, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, prometeu transparência e garantiu o lançamento do relatório, mas não confirmou se será dentro do prazo inicialmente estipulado pela Organização Mundial da Saúde ou se vai atrasar.