Policial acusado pela morte de Pink Floyd será julgado

O início do julgamento de Derek Chauvin, ex-policial de Minneapolis acusado pela morte, em maio do ano passado, de George Floyd começou nesta segunda-feira. O caso, que impulsionou protestos contra o racismo nos EUA e em todo o mundo, tem sido visto como um referendo sobre a violência policial contra os negros americanos.

O primeiro passo do julgamento será a triagem dos jurados que avaliarão as acusações. O juiz reservou três semanas apenas para a escolha do júri, ciente das dificuldades em encontrar pessoas imparciais sobre o caso que convulsionou a nação.

O tribunal enviou, ainda no ano passado, um questionário de 16 páginas aos possíveis jurados, perguntando o que eles sabiam sobre a morte de Floyd em 25 de maio, após sua prisão em frente a uma mercearia em Minneapolis. Entre as perguntas, estavam questões como: "viram o vídeo da morte de Floyd?", "participaram dos protestos que se seguiram?" e "o que acham do movimento Black Lives Matter?".

Chauvin, de 44 anos, é acusado de homicídio em segundo grau, com pena de até 40 anos de prisão, e homicídio culposo. Na sexta-feira, 5, o Tribunal de Apelações de Minnesota ordenou que o tribunal inferior reconsiderasse o pedido dos promotores para também restabelecer uma terceira acusação, de homicídio em terceiro grau. Não ficou claro se essa ordem poderia atrasar os procedimentos.

Ele será julgado em um tribunal no Centro Governamental do Condado de Hennepin, uma torre no centro de Minneapolis agora cercada por cercas e barricadas de concreto por medo de perturbação pelos manifestantes. Ele foi libertado da prisão por fiança de US$ 1 milhão em outubro passado.

Os advogados de Chauvin têm até 15 contestações peremptórias pelas quais podem excluir um jurado sem precisar citar um motivo, enquanto os promotores do gabinete do procurador-geral de Minnesota têm nove. Se um lado suspeita que o outro está desafiando um jurado com base em sua raça, etnia ou sexo, eles podem pedir ao juiz que anule. Os advogados de Chauvin devem desafiar a escolha de jurados que mostram apoio ao movimento antirracista.

O julgamento ocorre após meses de protestos daqueles que querem que o sistema de justiça criminal responsabilize a polícia pelo caso de Floyd, principalmente depois que outros casos emblemáticos, como as mortes de Breonna Taylor, em Louisville, e Daniel Prude, em Rochester, não resultaram em acusações.Os promotores provavelmente mostrarão o vídeo no tribunal tanto quanto o juiz permitir, para argumentar que o uso da força por Chauvin violou a política do Departamento de Polícia e que ele cometeu assassinato ao manter o joelho no pescoço de George Floyd mesmo depois que ele ficou em silêncio.

A defesa tentará retratar o que muitos veem como um simples conjunto de fatos capturados em vídeo como algo mais complicado, argumentando que o uso de drogas e as condições de saúde foram determinantes para a medida.