Itália fecha acordo comercial para produção da Sputinik V

Agência Européia de Medicamentos (EMA) precisa conceder ainda a aprovação
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A vacina russa Sputnik V contra covid-19 será produzida na Europa. Um acordo comercial para produzi-la na Itália foi assinado pelo fundo soberano RDIF, com sede em Moscou, e a empresa farmacêutica suíça Adienne. O acordo ainda precisa da aprovação dos reguladores italianos, mas foi confirmado tanto por russos quanto pela Câmara de Comércio Itália-Rússia.

Esta é a mais recente evidência de que alguns membros da União Europeia não estão dispostos a esperar que o próprio regulador do bloco - a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) - conceda sua aprovação ao Sputnik V.

A UE acreditava que havia se preparado bem para a campanha de vacinação ao encomendar 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca e selar acordos com outras empresas de mais 2 bilhões de doses. Mas dificuldades logísticas fizeram a campanha ser muito lenta em todos os países, o que fez com que alguns países realizassem imunizações paralelamente e adotassem medidas de iniciativa própria.

Quanto à vacina russa, cientistas dizem que a Sputnik V foi quase 92% eficaz, com base em resultados de testes em estágio final revisados por pares publicados no jornal médico The Lancet no mês passado. O imunizante também foi aprovado ou está sendo avaliado para aprovação em três estados membros da UE - Hungria, Eslováquia e República Checa. Autoridades do bloco europeu disseram que Bruxelas poderia iniciar negociações com um fabricante de vacinas se pelo menos quatro países membros o solicitarem.

A Câmara de Comércio ítalo-russa disse em um comunicado divulgado na segunda-feira, 8, feriado na Rússia, que a medida abriu o caminho para a criação da primeira unidade de produção do Sputnik V na Europa.

A instituição disse que há planos para o início da produção italiana em junho e que espera que 10 milhões de doses de Sputnik V possam ser produzidas lá até o final do ano.

"Este acordo é o primeiro do tipo com um parceiro europeu", disse Vincenzo Trani, chefe da Câmara, em comunicado. "Pode ser considerado um acontecimento histórico, o que comprova o bom estado das relações entre os nossos países e mostra que as empresas italianas podem ver além das diferenças políticas."

A Adienne Pharma & Biotech, sediada em Lugano, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Kirill Dmitriev, chefe do RDIF, que comercializa o Sputnik V internacionalmente, disse ao canal de televisão italiano RAI 3 no domingo que muitas regiões italianas estavam ansiosas para produzir a vacina e que a RDIF havia firmado um acordo com a Adienne para produzir o Sputnik na Itália.

"O que estamos oferecendo é uma verdadeira parceria de produção que criará empregos na Itália, e você pode controlar o produto, porque será produzido na Itália", disse.

Um oficial sênior da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) pediu aos membros da União Europeia na semana passada que se abstenham de aprovar o Sputnik V.