Detenções dobram em fronteiras e até aliados criticam Joe Biden

Proposta tributário ajudará em pacote de investimentos
Proposta tributário ajudará em pacote de investimentos - FOTO: Divulgação

O número de detenções na fronteira dos Estados Unidos com o México praticamente dobrou nos últimos cinco meses, em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP, na sigla em inglês). Entre outubro de 2020 (quando começa o ano fiscal americano) e fevereiro de 2021, foram 396 mil imigrantes apreendidos, contra 201.600 de outubro de 2019 a fevereiro de 2020.

O número de crianças desacompanhadas que fazem parte desse grupo passou de 17.100 para 29.700 - cerca de 400 por dia - nos mesmos períodos. No total, a Patrulha de Fronteira dos EUA deteve 100 441 mil migrantes na fronteira do México só em fevereiro, o décimo mês consecutivo de aumento. Pessoas que viajam em família passaram de 7.064 para 18.945, um aumento de 168%, entre janeiro e fevereiro, enquanto as apreensões de menores desacompanhados aumentaram de 5.694 para 9.297, 63% a mais.

O aumento é causado em parte pelas expectativas causadas entre os potenciais imigrantes pela reversão das políticas antimigratórias do ex-presidente Donald Trump, incluindo a que obrigava os solicitantes de asilo a esperarem o exame dos seus casos no México. Essa reversão contribui para uma corrida sem precedentes à fronteira. Além disso, especialistas do Centro de Pesquisas Pew apontaram outros fatores, como os danos econômicos causados pela pandemia do coronavírus e desastres naturais na América Central, região de origem de muitos emigrantes com destino aos EUA.

O deputado Henry Cuellar, um democrata moderado do Texas cujo distrito faz fronteira com o México, não está feliz com a forma como a equipe do presidente Joe Biden respondeu à onda de imigrantes que tentam entrar nos Estados Unidos. "Seu pessoal precisa fazer um trabalho melhor de ouvir aqueles de nós que já fizeram isso antes", disse ele na segunda-feira, dia 15.

O deputado Kevin McCarthy, o principal republicano da Câmara, que fez uma viagem à fronteira na segunda-feira para criticar a abordagem de Biden, foi ainda mais ácido."Não há outra maneira de chamar isso além de uma crise na fronteira de Biden", disse McCarthy (Califórnia) durante uma visita a um centro de processamento de migrantes em El Paso. E Neha Desai, uma advogada de imigração que recentemente visitou um local de detenção, disse que embora as condições lá tenham melhorado muito desde a era Trump, "é inaceitável que as crianças passem dias a fio em instalações dramaticamente superlotadas".

Quase dois meses após o início de seu primeiro mandato, Biden enfrenta uma crescente turbulência política provocada pela crise na fronteira e está atraindo críticas de todo o espectro político. Os democratas de centro estão nervosos com os ataques daqueles que os consideram "brandos com a segurança das fronteiras". Liberais e ativistas da imigração estão alertando sobre como os migrantes são tratados. E os republicanos estão cada vez mais preparando as bases para ataques centrados na imigração nas eleições de meio de mandato.