Mortes em unidade serão investigadas

Em várias regiões do País, as UTIs funcionam no limite e falta oxigênio
Em várias regiões do País, as UTIs funcionam no limite e falta oxigênio - FOTO: Rovena Rosa/Agência Brasil

O Ministério Público (MP) de São Paulo instaurou um inquérito civil nesta terça-feira, 23, para investigar os relatos de que três pacientes com covid-19 morreram após falha no abastecimento de oxigênio na UPA Ermelino Matarazzo, zona leste paulistana, na noite de sexta-feira, 19. A Secretaria Municipal da Saúde, que nega as mortes, tem o prazo de três dias para se manifestar sobre o procedimento.

"A situação, diante da violência do agravamento da pandemia, pode se repetir em outras unidades municipais de saúde", diz a portaria de abertura do inquérito, assinada pelo promotor Arthur Pinto Filho, da Promotoria de Justiça de Direitos Humanos - Saúde.

Os relatos dos óbitos foram revelados por reportagem do jornal Folha de S.Paulo, na qual trabalhadores da saúde apontaram que a falta do insumo também causou piora no estado de saúde dos pacientes. Segundo a Prefeitura, a unidade teve um problema no abastecimento e as 10 pessoas que precisavam de oxigênio foram transferidas a tempo.

Com UTIs lotadas e fila de espera por vagas no Estado, pacientes graves têm ficado internados entubados em leitos que não são de terapia intensiva em UPAs e prontos-socorros paulistas. Também há preocupação pela falta de medicamentos, especialmente para a intubação.

Na segunda-feira, 22, outra UPA da zona leste, em São Miguel Paulista, teve de transferir pacientes para três hospitais da região após falha no sistema de oxigênio. Um socorrista que auxiliou na situação disse ao Estadão que foi necessário pegar cilindros emprestados de ambulâncias e utilizar respiradores manuais.

A Prefeitura se manifestou por meio de nota e negou a falta de oxigênio na UPA que foi informada pelo MP e nas matérias.