Incêndio mata ao menos 7 pessoas e destrói acampamento

50 mil refugiados foram deslocadas à lugares lotados
50 mil refugiados foram deslocadas à lugares lotados - FOTO: Divulgação

Pelo menos sete pessoas morreram e outras milhares foram afetadas por um incêndio em um acampamento de refugiados rohingya, no distrito de Cox's Bazar, em Bangladesh. O fogo começou anteontem e ainda não havia sido completamente apagado pelos bombeiros até a madrugada de ontem.

"Uma de nossas unidades ainda está trabalhando no local", explicou Hossain revelando que até então, dos corpos encontrados, dois foram entregues à polícia e que "outros cinco foram enterrados por seus familiares". A causa das chamas será investigada pelas autoridades.

O vice-comissário para refugiados, Mohammad Shamsud Douza, disse que o incêndio destruiu completamente entre mil e 1,5 mil abrigos e danificou parcialmente outros milhares. "Ainda estamos avaliando os danos, garantindo o atendimento emergencial às vítimas."

A organização humanitária Refugees International estimou que 50 mil pessoas foram deslocadas - em campos já lotados que abrigam mais de um milhão de pessoas - e a extensão dos danos pode não ser conhecida por algum tempo. "Muitas crianças estão desaparecidas e algumas não conseguiram fugir por causa do arame farpado instalado nos campos", disse a agência

O escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) afirmou que as chamas afetaram abrigos, centros de saúde, pontos de distribuição e outras instalações. O refugiado Shamsul Alam também contou que o incêndio destruiu um hospital financiado pela Turquia, centros de ONGs e casas de Bangladesh perto do campo.

Os acampamentos congestionados de Cox's Bazar são vulneráveis a tais incidentes devido às instalações precárias e às frágeis cabanas de madeira, bambu e plástico que cobrem a área, embora também haja suspeitas de que alguns dos incêndios possam ser provocados.

Em janeiro, um incêndio deixou cerca de 3,5 mil rohingyas desabrigados depois que as chamas reduziram cabanas a cinzas. O Unicef denunciou como ato criminoso de quatro centros educacionais.

A polêmica continua em Bangladesh sobre a tentativa das autoridades do país de realocar cerca de 100 mil refugiados rohingya para a remota ilha de Bhasan Char, com o objetivo de descongestionar os campos. O processo começou em dezembro com o envio dos primeiros 3,5 mil refugiados e o número já chega a 12,4 mil.

Cerca de 738 mil rohingya chegaram aos campos no sudeste de Bangladesh após a eclosão, em agosto de 2017, de uma campanha de perseguição e violência pelo exército de Mianmar, que a ONU descreveu como um exemplo de limpeza étnica e possível genocídio Mianmar nega.