Grupos armados ameaçam junta militar

Protestos em Mianmar
Protestos em Mianmar - FOTO: Divulgação

A brutal repressão conduzida por generais de Mianmar para conter os protestos desde o golpe que derrubou o governo civil de Aung San Suu Kyi já matou 521 pessoas, incluindo muitos estudantes e adolescentes, informou a organização Associação de Ajuda aos Presos Políticos (AAPP).

A ONG afirma que o número de vítimas "é provavelmente muito maior", sobretudo porque centenas de pessoas continuam desaparecidas. Grande parte dos assassinatos aconteceu a tiros. Sábado passado foi o dia mais violento até aqui, e ao menos 141 pessoas foram mortas pelos militares.

Apesar do aumento da violência, milhares de manifestantes saíram para marchar em várias cidades na terça-feira, de acordo com a mídia e fotos nas redes sociais. Na capital econômica Yangon, várias ruas amanheceram cobertas de lixo, em um novo ato de desobediência civil.

Em meio à continuação da repressão, grupos rebeldes armados de minorias étnicas nas fronteiras birmanesas ameaçam se unir e aderir à resistência contra a junta militar caso persista a repressão.

Mianmar está em crise desde a deposição pelo Exército do governo democraticamente eleito em 1º de fevereiro, com a volta de um regime militar após uma década de tentativas de democracia.

Além das cidades e vilas em todo o país que estão tomadas por protestos, também se intensificaram os combates entre o Exército e os insurgentes em regiões fronteiriças, para onde estão fugindo muitos refugiados.

Os rebeldes lutam contra o governo há décadas por maior autonomia em regiões fronteiriças, distantes das grandes cidades. Os oponentes do golpe pediram uma frente única, composta por manifestantes urbanos e os grupos insurgentes, contra os militares.

Um dos grupos rebeldes mais fortes, a Unidade Nacional Karen, que opera ao longo da fronteira com a Tailândia, disse em comunicado que responderá a apelos de socorro de opositores do governo enviando combatentes para protegê-los.

O grupo disse que se prepara para sofrer uma grande ofensiva da junta militar. Em resposta, as tropas rebeldes estão atacando posições do Exército de Mianmar e cortando as rotas de abastecimento.

"Milhares de tropas militares terrestres birmanesas estão avançando em nossos territórios de todas as frentes", disse o grupo em um comunicado. "Não temos outra opção senão enfrentar as ameaças representadas pelo Exército da junta militar ilegítima e defender nosso território", completou. (E.C.)

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