Prefeitura começa abrir 600 valas por dia

Média subiu para mais de 315 casos de sepultamentos registrados desde março
Média subiu para mais de 315 casos de sepultamentos registrados desde março - FOTO: Mariana Acioli

Com o sistema funerário pressionado pelo agravamento da pandemia do coronavírus, a gestão Bruno Covas (PSDB) começou ontem uma operação para abrir 600 valas por dia na capital paulista. A Prefeitura de São Paulo também estuda a construção de um cemitério vertical e planeja fazer convênios com crematórios de municípios da Grande São Paulo.

Historicamente, a cidade realiza entre 240 sepultamentos (primavera e verão) e 300 (outono e inverno) por dia. Já os dados mais recentes do boletim da Prefeitura apontam que, desde março, a média subiu para mais de 315 casos, com recorde de sepultamentos registrado no período. E cientistas alertam que há tendência de alta para mortes por Covid nas próximas semanas, o que impacta de forma direta na demanda do serviço funerário.

"Todos os estudos apontam para uma maior demanda de sepultamentos no país nos meses de abril e maio", afirmou o secretário de Subprefeituras, Alexandre Modonezi, ao Estadão. "Com base nisso, estamos ampliando a abertura de valas diárias para estarmos preparados, caso ocorra esse aumento "

Mesmo com a recente escalada de óbitos por Covid, nenhuma necrópole municipal estaria próxima do esgotamento e ainda haveria capacidade para outras ampliações, segundo a Prefeitura. A medida atual, no entanto, está prevista no Plano de Contingenciamento do Serviço Funerário, elaborado no ano passado, que antecipa cenários e prevê ações por etapas para evitar colapso no sistema.

A meta é evitar que São Paulo registre episódios como o de Manaus, onde corpos chegaram a ser enterrados em valas coletivas durante a pandemia. "Hoje, não corremos risco (de colapso)", disse Modonezi. "O nosso principal objetivo é oferecer dignidade às pessoas, sempre com sepultamento individual."