Philip não era rei e sua morte não altera sucessão ao trono

Príncipe morreu depois de sete décadas de casamento com a rainha Elizabeth II
Príncipe morreu depois de sete décadas de casamento com a rainha Elizabeth II - FOTO: Família Real Britânica

A morte ontem do Príncipe Philip, aos 99 anos, depois mais de sete décadas de casamento com a rainha Elizabeth II, de 94, não altera a linha de sucessão ao trono britânico. Mesmo casado com a rainha, Philip ocupava o cargo de consorte. Isso porque, segundo as leis do Reino Unido, apenas herdeiros recebem o mais alto título da monarquia, para evitar que a linhagem real passe para a família do homem.

Para se casar, em 20 de novembro de 1947, Philip teve que renunciar aos títulos de nobreza anteriores e à sua religião ortodoxa, convertendo-se à Igreja Anglicana. A lei de sucessão britânica atualmente em vigor deriva das leis de sucessão na Inglaterra e Escócia. Tradicionalmente, a coroa é sucedida pelos filhos de um indivíduo e pela sua linha colateral mais próxima quando o indivíduo não tiver filhos.

A linha de sucessão ao trono é sempre determinada por descendência, legitimidade e religião. Anteriormente, casar-se com um católico excluía um indivíduo da sucessão, mas esse banimento foi abolido após 2015.

A última vez que houve uma mudança abrupta na linha de sucessão ocorreu em 1936, quando o rei Edward VIII, que queria se casar com a americana Wallis Simpson, divorciada, abdicou alguns meses em favor de seu irmão George VI, pai da atual rainha.

Quem encabeça a lista é o filho mais velho de Philip com a rainha Elizabeth II, o príncipe Charles, de 72 anos, seguido do filho mais velho de Charles com a princesa Diana, o príncipe William, de 38.Depois deles, em terceiro lugar na linha de sucessão, vem o príncipe George, de 7 anos, filho de William com Kate Middleton. George é sucedido por sua irmã, Charlotte, de 5 anos. Em quinto e sexto lugar, respectivamente, estão o príncipe Louis, de 3 anos, terceiro filho de William e Kate, e o príncipe Andrew, de 61 anos, irmão de Charles e terceiro filho de Philip e Elizabeth

Boris Johnson

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, emitiu nota lamentando o falecimento do Príncipe Philip. "Príncipe Philip viveu uma vida extraordinária - como herói naval na Segunda Guerra Mundial, como homem que inspirou incontáveis jovens, e, acima de tudo, como consorte leal da Sua Majestade, a Rainha. E é para Sua Majestade e família que os pensamentos de nossa nação devem se voltar hoje.", diz Johnson, em nota emitida pelo governo britânico. "Agradecemos, como nação e Reino, pela vida e obra extraordinárias do Príncipe Philip, Duque de Edimburgo", segue o premiê.

Filmes e séries

Discreto, mas essencial na manutenção do equilíbrio da família real britânica, Philip sempre foi tratado como um coadjuvante de luxo em filmes e séries que retratam a realeza, pois o protagonismo sempre recaiu a rainha Elizabeth.

Na série The Crown (Netflix), o Philip jovem foi vivido por Matt Smith. Logo, histórias de bastidores chamaram atenção quando foi revelado que Smith ganhava mais que a protagonista da série, Claire Foy, que viveu a jovem rainha Elizabeth. Para amenizar o problema, a produtora anunciou um pagamento à atriz quer seria uma espécie de retroativo ao que ela deixou de ganhar.