Guillermo Lasso vence Arauz e será o novo presidente

Participaram 71% dos cerca de 13,1 milhões de eleitores convocados para votar
Participaram 71% dos cerca de 13,1 milhões de eleitores convocados para votar - FOTO: Divulgação

O candidato liberal Guillermo Lasso venceu o segundo turno das eleições no Equador anteontem e será o novo presidente do país. A disputa acirrada colocou em jogo o retorno ao "Socialismo do Século 21" da década anterior ou a manutenção das políticas pró-mercado dos últimos quatro anos, em meio aos esforços do país andino para reanimar sua economia estagnada.

Apurados 98% dos votos, o ex-banqueiro tinha 52,51% dos votos, um total de 4,4 milhões de votos. Seu rival, o populista Andrés Arauz, tinha 47,49%, ou 3,98 milhões de votos. Arauz admitiu sua derrota antes mesmo do final da apuração: "Eu o felicitarei (a Lasso) pelo triunfo eleitoral obtido hoje e lhe demonstrarei nossas convicções democráticas".

"Este é um dia histórico, um dia em que todos os equatorianos decidiram seu futuro, manifestaram com seu voto a necessidade de mudança e o desejo de melhores dias para todos", festejou Lasso perante seus seguidores reunidos em Guayaquil, onde vive.

"Em 24 de maio assumiremos com responsabilidade o desafio de mudar o destino de nossa pátria e obter para todos o Equador de oportunidades e de prosperidade que todos desejamos", afirmou o ex-banqueiro ao se proclamar presidente eleito.

Lasso não contará com maioria legislativa e terá de negociar com o Pachakutik, o partido indígena que obteve mais votos para a Assembleia depois da União pela Esperança (Unes), o movimento de Andrés Arauz. O Criando Oportunidades (Creo), partido de Lasso, terá uma representação mínima.

A votação foi dependente de aproximadamente 15% do eleitorado que continuava indeciso, afirmou Francis Romero, diretor do instituto de pesquisa Click Report, descrevendo essa parcela como mais alta do que o normal.

Segundo o Conselho Nacional Eleitoral, houve uma participação de 71,35% dos cerca de 13,1 milhões de eleitores convocados para votar em meio ao aumento dos casos de Covid-19 - atualmente em mais de 346 mil infecções e 17.300 mortes - e uma vacinação lenta. Os eleitores receberam ordens de usar máscaras, levar álcool e caneta, além de manter o distanciamento de segurança. Foram reportadas aglomerações em alguns centros de votação por causa do atraso na instalação das urnas.

O economista Arauz, de 36 anos, que fez promessas de generosas doações em dinheiro e uma retomada das políticas socialistas de seu mentor, o ex-presidente Rafael Correa (2007-2017), venceu o primeiro turno em 7 de fevereiro com 32,72% dos votos. O ex-banqueiro Lasso, de 65 anos, que prometeu criar empregos por meio de investimento estrangeiro e apoio financeiro ao setor agrícola, obteve 19,74% na ocasião, mas virou o jogo no segundo turno.

"Esta divisão social, que a campanha eleitoral acentuou, mostrou que o voto de rejeição ao ex-presidente Correa acaba efetivamente favorecendo Lasso", afirmou Pablo Romero, analista da Universidade Salesiana.

Segundo o Instituto de Estudos Sociais e de Opinião Pública (Iesop), Lasso vinha em ascensão. Em 20 de fevereiro, a diferença a favor de Arauz era de 19 pontos porcentuais (59,4% a 40,6%), mas a tendência se inverteu. Em 6 de abril, Lasso passou à frente (52,2% a 47,5), segundo a organização Cálculo Electoral, atraindo o apoio dos indecisos.