Pacheco nega pedido para adiar CPI da Covid

Presidente do Senado só autorizou a instalação após decisão do Supremo Tribunal
Presidente do Senado só autorizou a instalação após decisão do Supremo Tribunal - FOTO: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), negou um pedido para adiar o funcionamento da CPI da Covid para outubro. A Comissão Parlamentar de Inquérito foi instalada ontem para investigar a conduta do governo federal na pandemia e o repasse de verbas a Estados e municípios.

O pedido de adiamento foi formulado durante sessão do plenário pelo senador Luiz do Carmo (MDB-GO), aliado do governo. Em resposta, Pacheco afirmou que, a partir de agora, não cabe a ele tomar decisões sobre o funcionamento da CPI e que esse tipo de pedido precisa ser submetido diretamente aos integrantes da comissão.

Pacheco só autorizou a instalação após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), mas foi pressionado pelo Planalto a barrar o funcionamento da comissão mesmo após a determinação judicial. "Quer dizer que CPI é mais soberana que o plenário? Não pode ser, presidente", afirmou o senador governista, após a negativa do presidente do Senado. "Uma vez instalada, ela tem sua própria existência, autonomia e não cabe interferência do presidente do Senado", respondeu Pacheco.

O presidente do Senado foi alvo de ataques do governo, ontem, durante a instalação da CPI, mesmo após ter sido apoiado pelo Planalto para ser eleito no comando do Congresso.

O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), afirmou que Pacheco assumiu a responsabilidade pela morte de senadores e assessores ao dar aval para o funcionamento da investigação no meio da pandemia do coronavírus e do risco de contaminação.

Por 8 votos, a maioria dos integrantes da CPI da Covid escolheu o senador Omar Aziz (PSD-BA) como presidente do grupo.