FED vê contratações ganhando fôlego nos EUA

Diretora do Federal Reserve (FED, o banco central norte-americano), Lael Brainard afirmou ontem que há motivos para prever uma "retomada forte" nas contratações de trabalhadores nos próximos meses nos Estados Unidos. Durante evento virtual, ela também comentou que a inflação ganha impulso com a retomada econômica, mas considerou que este "deve ser em geral temporário".

Brainard disse que a perspectiva econômica "é positiva", mas também lembrou da existência de incertezas, em quadro de emprego e inflação ainda "longe das metas" do FED.

Segundo ela, o payroll (dado de emprego) da semana passada, que mostrou geração de vagas abaixo do esperado em abril, foi um lembrete da divergência de ritmos entre a oferta de vagas e as pessoas em busca de emprego. E também notou que gargalos em alguns pontos da economia, como na oferta de semicondutores, "parecem limitar" a produção e também as contratações.

Sobre a trajetória dos preços, a diretora do FED disse que monitorará "com cuidado as expectativas de inflação no médio prazo". E garantiu que, se a inflação estiver acima da meta, o BC "não hesitará" em usar os instrumentos disponíveis para "gentilmente" contê-la. De qualquer modo, ela considera que várias medidas "sugerem que a inflação continua bem ancorada e consistente com nossas metas".

Questionada se auxílios extras na pandemia da Covid-19 poderiam desestimular algumas pessoas a buscar emprego, ela respondeu que os números disponíveis mostram que o argumento não parece fazer sentido, no quadro atual. A diretora ainda disse que, quando o FED estiver mais perto do "progresso substancial" almejado no mercado de trabalho e na inflação, irá comunicar isso claramente. (E.C.)