Amazônia desaparecerá se não dialogarmos, diz Kerry

Maior autoridade para assuntos ligados ao clima do governo de Joe Biden, o ex-secretário de Estado americano John Kerry afirmou ontem em audiência no Congresso americano que o diálogo dos Estados Unidos com o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) é uma forma de evitar que a Amazônia "desapareça". O "czar" do clima da Casa Branca voltou a demonstrar ceticismo sobre as promessas ambientais do atual governo brasileiro, mas defendeu as negociações com Brasília como a melhor alternativa na busca pela proteção da floresta e disse que é preciso "descobrir o que está acontecendo" na floresta amazônica.

Kerry foi questionado pelo deputado democrata Albio Sires sobre o fato de o Brasil ter cortado verba do meio ambiente após prometer ampliá-la durante a cúpula do clima organizada pelo governo Biden. "Um dia depois da promessa de eliminar o desmatamento ilegal até 2030, o presidente Bolsonaro aprovou um corte de 24% no orçamento ambiental para 2021. Em que consiste a política americana para a Amazônia brasileira e como podemos abordar a consistente falta de recursos em regulações ambientais do atual governo do Brasil?", perguntou o deputado.

"Eles dizem que estão comprometidos agora em aumentar o orçamento e que irão colocar de pé uma nova estrutura. Nós estamos dispostos a falar com eles, não com vendas nos olhos, e sim com um entendimento de onde já estivemos. Mas se não falarmos com eles é garantido que a floresta vai desaparecer", disse Kerry. Segundo ele, os dois países estão tentando formatar uma estrutura que possibilite a verificação das metas e prestação de contas pelo governo brasileiro. "Promessas já foram feitas no passado", disse o diplomata e enviado especial para o clima do governo Biden. (E.C.)