Conflito entre palestinos e israelenses já deixa 49 mortos

Palestinos incendiavam carros mesmo enquanto ataques aéreos eram lançados
Palestinos incendiavam carros mesmo enquanto ataques aéreos eram lançados - FOTO: Reprodução

A escalada de violência entre israelenses e palestinos se estendeu pela noite de anteontem e na madrugada de ontem. Pelo menos mais 100 foguetes foram disparados da Faixa de Gaza em direção a Israel, que respondeu com bombardeios no território de maioria árabe. Autoridades de saúde palestinas confirmam que o número de mortos chegou a 43 em Gaza, incluindo 13 crianças, enquanto os serviços de saúde de Israel confirmam seis mortos, incluindo uma adolescente.

Mesmo enquanto ataques aéreos eram lançados e sirenes de ataque aéreo soavam, cidadãos palestinos de Israel corriam para as ruas, incendiando carros e entrando em confronto com a polícia em cenas que relembraram revoltas violentas que abalaram o país décadas atrás. "Não vimos esse tipo de violência desde outubro de 2000", disse o chefe da polícia de Israel, Kobi Shabtai, referindo-se às manifestações árabes no início da segunda intifada, ou levante em massa palestino.

Na terça-feira à noite, pouco antes das 21 horas, o Hamas, grupo militante islâmico que governa a Faixa de Gaza, anunciou que lançaria foguetes em Tel-Aviv em resposta aos intensos ataques aéreos israelenses que derrubaram um prédio de 13 andares, bem como outros ataques em arranha-céus que resultaram em pelo menos três vítimas. Os militares israelenses disseram que o prédio de 13 andares abrigava escritórios de inteligência militar do Hamas e uma unidade de pesquisa e desenvolvimento de foguetes.

Em Lod, cidade próxima a Tel-Aviv, um homem de 40 anos e sua filha, de 16, morreram após a explosão de um foguete palestino que atingiu a cidade. Sirenes antiaéreas soaram nas cidades israelenses que fazem fronteira com Gaza, como na parte sul da cidade de Beersheva e na área metropolitana de Tel Aviv. "As crianças escaparam do coronavírus e agora vivem um novo trauma", disse uma mulher israelense da cidade costeira de Ashkelon a uma emissora de televisão.

Mais de mil foguetes foram disparados por grupos palestinos contra Israel desde que teve início a pior escalada de tensão entre árabes e judeus dos últimos anos. Destes, cerca de 850 atingiram o alvo ou foram interceptados pelo sistema de defesa antiaérea israelense, o Domo de Ferro, enquanto outros 200 falharam e caíram na própria Faixa de Gaza, segundo o porta-voz do exército de Israel, Jonathan Conricus.

"Residentes de Gaza, vocês estão vivenciando esta operação militar porque as organizações terroristas optaram novamente por colocá-los na linha de fogo", disseram militares israelenses em um post no Facebook. "Fique longe deles. Fique longe dos locais onde atuam. Protejam-se e protejam suas famílias."

Um foguete disparado pelo Hamas atingiu diretamente um ônibus na cidade de Holon, ferindo quatro pessoas, incluindo uma criança de 5 anos. Foguetes também atingiram perto do Aeroporto Internacional Ben Gurion, que foi temporariamente fechado e os aviões redirecionados.

Na manhã de ontem, o Exército israelense instruiu todos os residentes, incluindo fazendeiros, que vivem em um raio de 2,5 milhas de Gaza, a permanecerem temporariamente em suas casas, com medo de que o Hamas possa usar foguetes de curto alcance, foguetes de fogo direto ou atiradores para atacar civis.