Ernesto Araújo nega hostilidade com a China

Araújo rejeitou que sua atuação no Itamaraty teria relação com a chegada de insumos
Araújo rejeitou que sua atuação no Itamaraty teria relação com a chegada de insumos - FOTO: Marcello Casal JrAgência Brasil

Em depoimento à CPI da Covid, o ex-chanceler Ernesto Araújo negou ontem que tenha feito declarações ofensivas em relação a China e ouviu do presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), um alerta para que não minta à CPI. Araújo afirmou que o Itamaraty reagiu em certos momentos em que teria havido, segundo ele, excessos por parte do embaixador da China em Brasília. "Mas não houve declaração que se classifique como antichinesa", respondeu em questionamentos feitos pelo relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), e Aziz.

Araújo também rejeitou a posição de que sua atuação e declarações no Itamaraty teriam relação com os problemas na chegada de insumos chineses para produção de vacina no Brasil. "Jamais foi identificado correlação entre atraso e qualquer atuação de minha parte ou de qualquer elemento oriundo do governo brasileiro", respondeu o ex-chanceler.

As respostas despertaram indignação por parte do presidente da CPI, para quem Araújo deu "várias declarações contra a China. Um dos episódios relembrados por Aziz foi quando o ex-chanceler escreveu o artigo em seu blog intitulado 'Chegou o Comunavírus', em que fez comentários sobre um livro escrito por Slavoj Zizek.

"Na minha análise pessoal você está faltando com a verdade, não faça isso", alertou o presidente da CPI. Araújo respondeu que, no artigo, a palavra 'comunavírus' não se referia ao coronavírus, mas ao que Zizek tinha referenciado ao vírus ideológico oportunizado pelo contexto da pandemia. "Para implantação de sociedade comunista global, usei esse termo jocoso...", comentou Araújo. "Como isso não é ofensivo?" questionou Aziz, lembrando também da ocasião em que Itamaraty se envolveu em outro episódio de atrito com a China a partir de uma declaração do deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, que publicou no Twitter uma mensagem que culpava o país asiático pela pandemia.