Pazuello distorce dados e blinda Jair Bolsonaro

Sessão foi interrompida porque Pazuello sentiu mal estar
Sessão foi interrompida porque Pazuello sentiu mal estar - FOTO: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O depoimento do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello à CPI da Covid foi marcado pela tentativa de blindar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Ao longo de sete horas de sessão, ontem, Pazuello distorceu fatos sobre a condução da crise sanitária pelo governo, disse inverdades ao negar a ordem de Bolsonaro para cancelar a compra da vacina Coronavac e foi desmentido pelo Tribunal de Contas da União (TCU) ao afirmar que havia restrições da Corte à compra de imunizantes da Pfizer.

A sessão foi interrompida à tarde porque Pazuello sentiu mal estar durante um intervalo e teve diminuição da pressão arterial. O general foi atendido pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), que é médico. À saída do Senado, no entanto, Pazuello negou o problema, confirmado pelo Estadão com seus advogados. "Eu não passei mal. Não houve nada", desconversou. O depoimento será retomado hoje.

O ex-ministro deixou senadores irritados ao dizer que Bolsonaro não lhe mandou cancelar contrato para a compra da Coronavac, vacina produzida pela chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. "Nunca o presidente me mandou desfazer qualquer contrato, qualquer acordo com o Butantan. Ele nunca falou um 'ai' sobre o Butantan", afirmou.

No dia 21 de outubro, porém, Bolsonaro usou as redes sociais para anunciar o fim do acordo. "Ele (Pazuello) tem um protocolo de intenções, já mandei cancelar, se ele assinou. O presidente sou eu. Não abro mão da minha autoridade", escreveu Bolsonaro, que, vinte e quatro horas depois, foi visitar o então ministro. "É simples assim: um manda, o outro obedece", disse Pazuello, na ocasião, ao lado do chefe.

Agora, a versão do general é a de que a manifestação do presidente foi uma reação a provocações do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), seu adversário.

Pazuello foi submetido, pouco depois, a um novo constrangimento ao destacar que, entre os motivos para a não assinatura rápida de um memorando de entendimento com a Pfizer, estavam pareceres de órgãos de controle, como o TCU. O tribunal enviou informações aos senadores dizendo que não havia apresentado nada nesse sentido. O ex-ministro afirmou, então, que cometera um equívoco.

Os momentos mais tensos da CPI ocorreram quando o ex-ministro negou ter recomendado o "tratamento precoce" com cloroquina, medicamento sem eficiência comprovada contra a Covid, e quando disse ter sido informado sobre a falta de oxigênio em Manaus apenas no dia 10 de janeiro.