Ataque deixa 14 mortos a duas semanas das eleições

Ao menos 14 pessoas morreram no domingo passado, no interior do Peru, em um ataque atribuído a dissidentes do grupo guerrilheiro maoísta Sendero Luminoso. O ataque ocorre a duas semanas da eleição presidencial, que será disputada entre a conservadora Keiko Fujimori e o esquerdista Pedro Castillo.

De acordo com o Ministério da Defesa, o massacre ocorreu no Valle de los Rios Apurímac, Ene e Mantaro, região montanhosa que concentra 75% da produção de cocaína da América Latina.

Ao redor dos corpos das vítimas - alguns queimados - foram encontrados panfletos com a assinatura de membros ainda ativos do Sendero. As mensagens incentivavam os peruanos a boicotar as votações que devem acontecer no dia 6 de junho.

As informações destacadas pelo comando das Forças Armadas do Peru revivem o conflito armado que deixou 69 mil mortos no país nas últimas décadas do século 20. Em 1990, Alberto Fujimori foi eleito para a presidência e permaneceu no poder por dez anos. Depois, ele foi condenado e hoje cumpre pena de 25 anos por violação de direitos humanos.

À época, Abimael Guzmán liderou uma insurgência do Sendero contra o governo autoritário de Fujimori. Após ser capturado, Guzmán ordenou que os seguidores baixassem as armas.

O ataque acontece em meio a uma nova polarização ideológica no país. Keiko Fujimori, filha do ex-ditador peruano e representante conservadora, enfrenta o candidato da esquerda Pedro Castillo, professor e líder sindical. Os panfletos encontrados no local do massacre acusavam os seguidores de Fujimori de traidores. Já Castillo é acusado de simpatizar com os guerrilheiros. Para seus opositores, sua vitória colocaria o país em um estado de conflito novamente. (E.C.)