Hamas nega suposta ameaça de bomba contra avião desviado por Belarus

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sdg - FOTO: Reprodução

O movimento armado palestino Hamas negou, na madrugada de ontem, as alegações do governo de Belarus sobre uma suposta ameaça de bomba que teria provocado o pouso forçado do voo no qual viajava o jornalista opositor Roman Protasevich, preso após a aterrissagem no domingo passado.

O avião da companhia irlandesa Ryanair fazia a rota de Atenas para Vilnius, quando foi obrigado a fazer uma aterrissagem de emergência em Minsk, após a tripulação ser informada sobre uma ameaça de bomba no avião. O governo belarusso chegou a enviar um caça MiG-29 para escoltar a aeronave que estava a dez quilômetros da fronteira da Lituânia. Após a aterrissagem, nenhum explosivo foi encontrado a bordo, mas Protasevich acabou preso.

"Não utilizamos tais métodos e é possível que os responsáveis busquem desacreditar o Hamas e minar a simpatia do mundo pelo povo palestino", disse um porta-voz do movimento em uma declaração, na qual negou categoricamente qualquer ligação do grupo com o incidente envolvendo o avião.

O comunicado do Hamas veio em resposta à acusação feita, anteontem, pelo ministro dos Transportes e Comunicações de Belarus, Artiom Sikorski, de que o potencial risco à segurança dos passageiros foi avaliado com base em um e-mail em inglês recebido pela direção do aeroporto, contendo uma suposta ameaça de bomba do Hamas.

'Sequestro de Estado'

O desvio do avião foi classificado por potências ocidentais como um "sequestro de Estado", gerando uma crise diplomática para a antiga república soviética. Companhias aéreas de todo o mundo suspenderam o sobrevoo do espaço aéreo belarusso, alterando rotas para contornar a fronteira do país. A União Europeia fechou o espaço aéreo do bloco para aeronaves belarussas.

Além disso, multiplicam-se pedidos de soltura de Protasevich, acusado pelo governo Lukashenko de incitação à desordem pública e ao ódio social, e incluído na lista de terroristas procurados pela KGB, serviço secreto do país. Caso seja condenado por terrorismo, o jornalista pode ser condenado à morte pela justiça do belarussa.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, pediu a "libertação imediata" de Protasevich. "O vídeo de é profundamente angustiante. Como jornalista e apaixonado defensor da liberdade de expressão, peço sua libertação imediata", tuitou Johnson, advertindo que as ações do governo terão "consequências".

Em resposta à pressão internacional, Belarus convidou várias organizações internacionais a viajar para Minsk e se informarem sobre "as circunstâncias" que motivaram o desvio do voo comercial. O departamento do ministério dos Transportes responsável pelo setor aéreo emitiu um comunicado dizendo ter convidado representantes da Associação Internacional de Transporte Aéreo, da Organização da Aviação Civil Internacional, vinculada à ONU, e autoridades dos EUA e da União Europeia. (E.C.)