Biden recebe família de George Floyd, um ano após sua morte

Morto durante sua prisão, Floyd se tornou um símbolo nos EUA e no exterior
Morto durante sua prisão, Floyd se tornou um símbolo nos EUA e no exterior - FOTO: Reprodução

Um ano após a morte de George Floyd - no caso de violência policial que impulsionou protestos contra o racismo em todo o mundo -, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, recebe parentes do homem negro morto por policiais brancos em Mineápolis ontem. O encontro de Biden com a família de Floyd ocorre em meio a pressões sobre a aprovação de um projeto de lei contra a violência policial no Congresso americano.

A reunião, que será privada, vai acontecer na Casa Branca, de acordo com a porta-voz da presidência, Jen Psaki, durante uma entrevista coletiva anteontem. Vários membros da família, com quem Psaki disse que Biden desenvolveu relacionamentos, comparecerão, incluindo vários irmãos e sua filha, Gianna.

Com a agenda legislativa travada no Congresso, a Casa Branca vem tentando destacar a empatia do presidente. "(25 de maio de 2020) foi um dia que teve um grande impacto sobre ele e milhões de americanos", disse a porta-voz do presidente, Jen Psaki, acrescentando que Biden foi marcado pela "coragem e simpatia" da família de Floyd, particularmente sua filha Gianna.

"Eu gostaria de estar com vocês e tomá-los em meus braços", disse ele durante uma conversa por telefone com parentes de Floyd logo após o anúncio da decisão no julgamento de Derek Chauvin, o policial que apertou o joelho contra o pescoço do jovem, causando sua morte.

Morto em 25 de maio de 2020 em Mineápolis durante sua prisão por quatro policiais, Floyd se tornou um símbolo nos EUA e no exterior. Sua provação desencadeou uma mobilização sem precedentes e suas palavras finais ("Não consigo respirar") tornaram-se um grito de guerra contra os abusos da polícia.

Em seu primeiro grande discurso no Congresso no final de abril, Biden pintou o quadro de uma América de pé após uma série de grandes crises. O presidente então pediu ao Congresso que aprovasse um projeto de reforma da polícia com o nome de George Floyd no primeiro aniversário de sua morte. Mas o "Ato de Justiça no Policiamento de George Floyd" ainda está sendo debatido pelo Senado.

O texto, aprovado pela Câmara, prevê, em particular, a proibição do uso de estrangulamentos e visa limitar a ampla imunidade ("imunidade qualificada") de que gozam os policiais. A Casa Branca estabeleceu seu próprio prazo para o Congresso aprovar a legislação, que Psaki reconheceu na segunda-feira não será cumprida. "O calendário para a aprovação da lei não será mantido", admitiu.

Psaki disse, contudo, que a Casa Branca permaneceu relativamente otimista. Segundo ela, Biden falou na sexta-feira passada com o senador Cory Booker, democrata de Nova Jersey e um defensor declarado da reforma policial, acrescentando que o senador Tim Scott, da Carolina do Sul, principal negociador dos republicanos sobre o assunto, também expressou interesse em continuar as negociações "O presidente ainda está muito esperançoso de que será capaz de sancionar a Lei de Justiça no Policiamento George Floyd", disse.

Escolhido a partir de uma imagem de homem de diálogo, capaz de chegar a acordos com os republicanos, o presidente democrata, que foi senador por 38 anos, sabe que grande parte de seu capital político está em jogo.