Johnson é posto na berlinda por ações de combate à Covid

Não é apenas o governo do presidente, Jair Bolsonaro (sem partido), que foi colocado na berlinda sobre como coordenou o combate à pandemia de coronavírus no país. No Reino Unido, o primeiro-ministro Boris Johnson também passa por um momento de tensão de seu governo. Assim como os brasileiros param para assistir às sessões da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado, os britânicos também dão uma pausa em suas atividades para acompanhar ontem o depoimento de Dominic Cummings, que foi o homem forte de Downing Street no início do mandato de BoJo.

Johnson, o primeiro líder mundial a admitir estar contaminado por Covid-19, acabou por afastar Cummings de seu governo em 13 de novembro do ano passado, depois de desentendimentos entre os dois e de um forte desgaste que sofreu publicamente. Entre outras coisas, o então conselheiro foi flagrado em uma viagem pela Inglaterra, enquanto o governo impedia a locomoção de seus cidadãos para conter a disseminação do vírus.

Figura controversa, Cummings foi apontado como o idealizador da estratégia de "imunização de rebanho" no país. O Reino Unido foi uma das últimas nações europeias e decretar o lockdown, e tomou a decisão por pressão de vizinhos, mas depois decidiu manter uma linha dura nas regras de isolamento e agora, com a vacinação também avançando, a vida no país começa a voltar ao normal.

Assim como no Brasil, a imprensa local acompanha seu depoimento em uma comissão do Parlamento britânico. Afinal, Cummings é visto como uma "bomba" para o governo local por saber demais. No mínimo, será um momento embaraçoso para o premiê. E ele não está decepcionando os que ficaram indignados com a falta de ação do governo no momento que as primeiras informações sobre a rapidez e a letalidade do surto começaram a surgir.

O ex-conselheiro-chefe do primeiro-ministro disse que "ministros, altos funcionários e conselheiros como eu ficaram desastrosamente aquém do que o público espera durante uma crise como esta". Ele acusou o ministro da Saúde Matt Hancock de estar "completamente errado" ao sugerir que a imunidade coletiva nunca fez parte do plano original do governo. Hancock foi abordado por jornalistas mais cedo e saiu correndo da imprensa. As imagens viralizaram nas redes sociais como um meme.

Cummings continuou a focar sua artilharia em Hancock durante o depoimento, dizendo que ele "deveria ter sido demitido" por "pelo menos 15 a 20 coisas" erradas que teria feito, incluindo mentir em reuniões. (E.C.)