Pequim responde à Otan e pede que parem de exagerar

A China pediu ontem que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) "pare de exagerar a teoria de ameaça chinesa" após a principal aliança militar do Ocidente acusar Pequim de ser um "desafio sistêmico" para o grupo com suas "políticas coercitivas". Segundo o governo de Xi Jinping, que fez um apelo para que a União Europeia (UE) não se junte à estratégia americana, os Estados Unidos estão "muito doentes" por tentarem criar uma frente unida anti-China.

"Exigimos racionalidade da Otan na hora de avaliar o desenvolvimento da China e que deixem de exagerar a teoria de ameaça chinesa. Eles não devem usar nossos interesses legítimos e direitos como desculpas para manipular e criar enfrentamentos artificiais", disse a missão diplomática chinesa na União Europeia em comunicado. "A China não representa um desafio sistêmico para ninguém, mas se alguém quiser nos impor um, não permaneceremos indiferentes."

Ao contrário de seu antecessor, que apostava no embate direto contra Pequim, a estratégia do presidente dos EUA Joe Biden é juntar seus aliados europeus e asiáticos para tentar impedir que a China desafie a supremacia americana. Após quatro anos negligenciada pelo governo de Donald Trump, a Otan é um elemento-chave da estratégia anti-Pequim de Biden.

O comunicado da cúpula de anteontem, a primeira desde a troca de comando em Washington, menciona a China dez vezes - na última reunião, em 2019, a potência asiática havia sido mencionada apenas uma. De acordo com o texto, "as ambições declaradas e o comportamento assertivo da China representam desafios sistêmicos da ordem internacional em áreas relevantes para a aliança".

O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, havia dito anteontem que todos os 30 países-membros da aliança reconhecem que Pequim "está aumentando suas capacidades militares e continua com seu comportamento coercitivo", buscando neutralizar as acusações de que Washington pauta a agenda monocraticamente. A China, ele disse, está "expandindo rapidamente seu arsenal nuclear" e é "opaca" na hora de prestar contas sobre sua modernização militar.

Em sua nota oficial, a missão chinesa na UE chama as afirmações de "caluniosas" e alegou que a Otan, com sua "mentalidade de Guerra Fria, busca atacar o desenvolvimento pacífico" do país.

As políticas de defesa da China, afirmou, "são legítimas e transparentes", ressaltando que o arsenal da Otan é muito superior ao de Pequim. (E.C.)