Baixa participação traz perigo para teocracia

Baixa é motivada por fatores que vão desde a exclusão de candidatos até a pandemia
Baixa é motivada por fatores que vão desde a exclusão de candidatos até a pandemia - FOTO: Reprodução

Apenas 23% dos iranianos aptos haviam votado nas eleições de ontem até às 17h (horário local, 8h30 no Brasil), em um processo que tem o ultraconservador Ebrahim Raisi como grande favorito. A histórica baixa participação, motivada por fatores que vão desde a exclusão prévia de candidatos até a pandemia da Covid-19, acontece mesmo após apelos de autoridades para que os eleitores comparecessem às urnas. Para especialistas, o cenário preocupa o governo e pode significar uma derrota para o regime teocrático que comanda o país.

Para o professor de política da Universidade de Teerã Sadegh Zibakalam, a baixa votação é um ponto de inflexão para o regime. "A maioria não participa das eleições, e isso significa que a maioria não apoia mais a República Islâmica", afirmou em um seminário do King's College London, de acordo com o jornal The Guardian.

A baixa participação já era esperada. Mais de 600 candidatos foram descartados pelo Conselho dos Guardiões - que decide quem pode concorrer - em uma seleção duramente criticada por desqualificar várias figuras importantes associadas a facções centristas ou reformistas, incluindo Ali Larijani, ex-presidente do Parlamento e negociador nuclear, e candidatos proeminentes, como o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad, que defendeu o boicote à eleição.

A apatia dos eleitores, no entanto, vem de antes da decisão do Conselho dos Guardiões, em parte devido à economia devastada e à campanha contida em meio a um aumento nos casos de coronavírus. A Agência de Pesquisa de Estudantes Iranianos, vinculada ao Estado, projetou mais recentemente uma participação de 42% dos 59 milhões de eleitores qualificados do país.

O governo manifestou preocupação com o cenário. (E.C.)