Brasil poderia evitar 400 mil mortes, afirma Hallal

Epidemiologista disse que quatro de cada cinco mortes poderiam ter sido evitadas
Epidemiologista disse que quatro de cada cinco mortes poderiam ter sido evitadas - FOTO: Reprodução

O Brasil poderia ter evitado até 400 mil mortes por Covid-19 se tivesse adotado medidas necessárias para conter o avanço da doença, conforme estudos apresentados ontem na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid. Os senadores convidaram dois especialistas para comentar os números do coronavírus e subsidiar a investigação, que põe o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no foco da apuração.

O epidemiologista e professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) Pedro Hallal, que coordena um centro de estudos do quadro da doença no Brasil, apresentou dados afirmando que quatro de cada cinco mortes pelo coronavírus no Brasil estão em "excesso", ou seja, poderiam ter sido evitadas se o país seguisse as políticas adotadas na média em outros países.

Hallal citou que o Brasil tem 2,7% da população mundial, mas apresenta 12,9% das mortes por Covid-19 no mundo. "Ontem, uma de cada três pessoas que morreram por Covid no Brasil foi no Brasil", disse o pesquisador no início do depoimento. "Podíamos ter salvo 400 mil vidas no Brasil apenas se estivéssemos na média mundial."

Outro estudo apresentado na CPI - pela diretora-executiva da Anistia Internacional e coordenadora do movimento Alerta, Jurema Werneck - indicou que a pandemia de Covid-19 provocou 305 mil mortes acima do esperado no Brasil em um ano. O cálculo leva em conta os dados históricos de mortalidade no país.

A especialista apontou redução relativa de 40% na transmissão se medidas mais restritivas, como isolamento social e preparação do sistema de saúde, tivessem sido implementadas.

"Se tivéssemos agido como era preciso, a gente podia ainda no primeiro ano de pandemia ter salvo 120 mil vidas", disse Weneck durante a audiência na CPI.