Avanço da variante Delta leva a novas restrições no mundo

Segundo especialistas cepa está a caminho de se tornar a versão mais dominante
Segundo especialistas cepa está a caminho de se tornar a versão mais dominante - FOTO: Ricardo Wolffenbuttel/Governo de SC

A preocupação com a rápida disseminação da variante Delta do coronavírus vem forçando um número crescente de países a reimpor medidas restritivas mais rigorosas na tentativa de impedir que uma nova onda da Covid-19 atrapalhe os esforços globais para conter a pandemia e a retomada da normalidade. Apenas no final da semana passada, novas restrições a viagens e a atividades cotidianas foram anunciadas em países como Austrália, África do Sul e Alemanha.

Especialistas em saúde alertam que a variante Delta - inicialmente identificada na Índia - está a caminho de se tornar a versão mais dominante do coronavírus em todo o mundo. Além da Índia, países como Portugal, Reino Unido e Rússia enfrentam um novo avanço da pandemia, impulsionado pela cepa indiana - que, segundo informações da Organização Mundial da Saúde (OMS) na semana passada, já foi detectada em pelo menos 92 países.

Pelo avanço da nova cepa, a Austrália colocou em lockdown algumas das principais regiões do país. Sydney e Darwin, duas das principais cidades australianas, amanheceram fechadas ontem - na primeira, o lockdown deve durar duas semanas. Em Perth foi restabelecido o uso obrigatório de máscara e a população foi alertada sobre a possibilidade de um novo lockdown. Brisbane e Camberra também estão entre as cidades onde houve a reimposição das regras.

A maioria dos novos casos no país estão relacionados a um motorista de limusine de Sydney que testou positivo em 16 de junho para a variante Delta. Ele não foi vacinado e, segundo relatos, não usava máscara. A suspeita é que ele tenha sido infectado enquanto transportava a tripulação de um voo estrangeiro do aeroporto. O estado de Nova Gales do Sul, onde fica a cidade, relatou 18 novos casos no último período de 24 horas.

O conselheiro de políticas de saúde Bill Bowtell, disse que o governo australiano precisava considerar apressar as vacinações, reduzindo o intervalo entre as doses dos imunizantes da AstraZeneca de 12 para 8 semanas. "Nós realmente enfrentamos a crise mais séria da pandemia da covid-19 desde os primeiros dias de fevereiro-março do ano passado", disse.

Na Alemanha, o Instituto Robert Koch, agência federal responsável pelos indicadores de Covid-19, incluiu Portugal e Rússia entre os países da "zona com variante do vírus", grupo sujeito a normas mais rígidas de controle, do qual também faz parte o Reino Unido. Agora, os alemães estariam tentando banir viajantes britânicos da União Europeia, independentemente de estarem ou não vacinados contra o vírus, de acordo com publicação do jornal britânico The Times desta segunda. Ainda de acordo com o jornal, o plano precisa ser discutido no comitê integrado de resposta à crise da UE, mas enfrentará resistência de países que costumam receber grande número de turistas britânicos no verão.

Em Portugal, um dos países dependentes do turismo de verão, a variante Delta já é responsável por 51% dos casos de Covid-19, de acordo com relatório divulgado no fim da semana passada.