Suspensão das aulas provoca crise no sistema educacional

Algumas secretarias planejam retorno das aulas presenciais ainda neste semestre
Algumas secretarias planejam retorno das aulas presenciais ainda neste semestre - FOTO: Laura Ramos/Secom Ferraz

O Conselho Nacional de Educação (CNE) e três Secretarias de Educação do Alto Tietê acreditam que o período de um ano e quatro meses de ensino remoto gerou uma crise educacional aos alunos. Nesta temporada, grande parte deles mantiveram o aprendizado online para que o distanciamento social pela pandemia do coronavírus (Covid-19) evitasse o contágio com a doença.

A Secretaria de Educação de Suzano, por exemplo, esclareceu que isto significa um prejuízo educacional considerado grande para os estudantes. No entanto, a Pasta ressaltou que as crianças não pararam suas atividades neste período, mesmo que de forma remota.

"As aulas presenciais são consideradas essenciais, principalmente para alunos da educação infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental. Mas a suspensão teve como objetivo maior a garantia de vidas, a fim de evitar que a pandemia da Covid-19 se alastrasse ainda mais", pontuou.

Quanto ao retorno das aulas presenciais nas unidades da rede municipal, a expectativa é de que seja ainda neste semestre. O mesmo deve ocorrer nas escolas municipais de Itaquaquecetuba, segundo informações da Prefeitura. "Sem dúvida, as aulas online geraram a maior crise educacional, já que as crianças nunca ficaram tanto tempo distantes da escola. Além do conteúdo pedagógico, a interação com os colegas e professores são as bases de qualquer pessoa", lamentou a Secretaria Municipal de Educação.

O ensino remoto gerou não só a defasagem no aprendizado como também incontáveis impactos nas áreas cognitiva, social, física e alimentar dos alunos. Foi o que afirmou a Secretaria de Educação de Mogi das Cruzes.

O acesso às aulas remotas pelos alunos que moram em regiões afastadas onde o sinal de internet é fraco e aqueles que convivem em lares economicamente vulneráveis, é limitado ou inexistente. Se a alta dos preços de insumos básicos para a sobrevivência, como a comida, têm sido inviável para muitas famílias, a mensalidade de uma internet de qualidade não chega nem a ser cogitada.

Em Mogi, a Pasta garantiu que tem trabalhado em um "pacto municipal", que mobilizará toda a cidade em favor da educação e do direito de aprender das crianças. Neste sentido, a Prefeitura instituiu o Gabinete de Articulação para Enfrentamento da Pandemia na Educação (Gaepe Mogi).

O Gabinete já atua nacionalmente e Mogi é a primeira cidade a receber a iniciativa, que terá a parceria do Instituto Articule. O objetivo é promover o debate das principais questões relacionadas ao impacto e ao enfrentamento da pandemia na educação e a primeira reunião do Gaepe Mogi será na próxima segunda-feira. O início da Fase 2 da retomada gradual das aulas presenciais será no dia 2 de agosto.